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Horizonte da Cena

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Questionamentos acerca do FIT-BH 2014

por Luciana Romagnolli ::
Reproduzo abaixo reportagem publicada no jornal O Tempo, com alguns acréscimos que este espaço virtual permite.
Materia Prima - Juan Rayos
Nos últimos anos, o Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua de Belo Horizonte (FIT-BH) passou pelas mãos de três equipes diferentes e acumula problemas financeiros. É nesse contexto instável, de descontinuidade, que o principal evento do teatro mineiro chegou ao seu 20º ano, cercado por ponderações. Um histórico rápido do evento bienal dá a dimensão dessa instabilidade.
Em 2010, os então curadores Eid Ribeiro e Richard Santana desligaram-se por não concordarem com a gestão da Fundação Municipal de Cultura (FMC), presidida à época por Thaís Pimentel. Pouco depois, Carlos Rocha, o Carlão, deixou a coordenação geral por motivo semelhante. Após quase ser cancelado e uma ameaça de adiamento para o ano seguinte, o FIT foi realizado em agosto, sob coordenação de Rodrigo Barroso, que dividiu a curadoria com Lúcia Camargo e Solanda Steckelberg.

Em 2012, Barroso prosseguiu no cargo e Marcelo Bones assumiu a direção artística. Agora, em 2014, as cartas foram trocadas outra vez. Cássio Pinheiro é o atual coordenador geral do FIT-BH, enquanto Jefferson da Fonseca e Geraldo Peninha respondem pela curadoria. A mudança ocorre em momento delicado: uma edição em ano de Copa do Mundo e com dívida superior a R$ 1 milhão até hoje não pago a cerca de 50 fornecedores de 2012. Não são, portanto, poucos os questionamentos que pesam sobre esta edição.

A programação está entre eles. Principalmente, porque o desejo expresso pela direção e pelos curadores é de fazer a maior edição da história do evento – e tornar-se o maior festival internacional do país. De fato, a grade cresceu em número de dias (de 16 para 20) e espetáculos (de 41 para 54). De hoje até 25 de maio, serão apresentadas 18 produções internacionais, 12 nacionais e 25 locais. Há de se pensar se a grandiosidade de um festival se mede por números. É fácil perceber que o aumento concentra-se na produção local. O FIT-BH 2014 apresenta um panorama amplo da cena de Belo Horizonte, é verdade. Contudo, grande parte dos espetáculos já cumpriu um considerável número de apresentações na cidade, ou seja, o público teve não poucas chances anteriores de vê-los. Pode-se tomar como exemplo “John & Joe”, parceria do diretor Eid Ribeiro com o grupo Trama, que estreou em 2009.Sobre a escolha para a abertura do evento, paira um dilema semelhante. Tradicionalmente, o FIT costuma começar com um espetáculo de rua inédito que cause impacto na cidade, arrebanhando o público. Na primeira edição, em 1994, foi o grupo francês Générik Vapeur, com “Bivouac”. Em 1996, o os espanhóis do Comediants trouxeram o ritualístico “Dimonis” à praça da Estação. Foi lá também que se viu “Ézili”, do grupo francês Plasticiens Volants, em 1998 – ou, dando um salto no tempo, “K@smos”, em 2010. Em 2012, a remontagem de “Romeu e Julieta” estreou em Belo Horizonte. Só para citar alguns.

Sem desmerecer as qualidades artísticas de “Prazer”, que não são poucas, a escolha do espetáculo da Cia. Luna Lunera para a abertura do FIT, por mais que houvesse preferência por reinaugurar o Teatro Francisco Nunes com uma produção local, deixa a sensação de déjà-vu: a peça inaugurou o Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte com uma temporada de 11 semanas no ano passado, durante a qual foi vista por 10 mil pessoas na cidade.

O primeiro espetáculo de rua ficou para o dia seguinte, a quarta-feira (07), quando a Cia. Efêmera, de São Paulo, apresentou a intervenção “Café?”, às 9h e 17h, na Estação BH Bus Venda Nova, diante de poucos passantes que se detiveram para acompanhar alguns minutos do solo de Tatiana Lenna. A descentralização das apresentações é outra marca deste ano. O teatro chega a áreas desguarnecidas da cidade, enquanto alguns espetáculos (caso de “A Cobra Vai Fumar – Uma Estória da FEB”) não passam pelo centro.

Internacionalização. A explicação oficial para o crescimento dos mineiros no FIT é “a valorização e a internacionalização” da produção local. A maior parte da seleção ficou a cargo de uma comissão que escolheu entre 40 inscritos. “Tentamos fazer um apanhado do que tínhamos visto de significativo nos últimos tempos”, diz Peninha, sobre os convidados não-inscritos. Isso inclui o infantil “De Banda para a Lua”, do Armatrux, que estreou em 2007.

Na programação nacional, as escolhas da curadoria desviaram do que se costuma ver em outros festivais brasileiros, pela ausência das principais companhias com trabalho consolidado no país – a exceção, e a mais esperada, é “Cine Monstro”, do diretor carioca Enrique Diaz. Optou-se por contemplar obras da cultura popular e trazer produções de cidades como São José do Rio Preto e Florianópolis, ainda pouco estabelecidas como centros criativos de teatro (embora o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto seja um dos mais relevantes no país). “A gente percebeu que os FITs anteriores foram eficazes em fazer um recorte profundo de determinadas vertentes do teatro, por exemplo, de vanguarda. Eles já fizeram esse trabalho muito bem nas edições anteriores. Como essa é uma comemoração de 20 anos, achamos que seria interessante pegar uma visão ampla de todas as tendências”, diz Peninha.

Nesse contexto, as maiores expectativas recaem sobre a programação internacional, por espetáculos como “Hamlet”, do alemão Berliner Ensemble, fundado por Bertolt Brecht; “Jamais 203”, retorno da trupe Generik Vapeur; “Materia Prima”, da espanhola La Tristura, que já circulou por outros festivais do país; e “Frag#3 Aproximación a la Idea de Desconfianza”, versão francesa para um texto do argentino Rodrigo García – de quem o FIT-BH 2012 viu “Gólgota Picnic”.

*

Para entender melhor:

Intercâmbios. Coordenador do FIT-BH 2014, Cássio Pinheiro explica que as ações de internacionalização, concentradas no projeto Intercena, não se restringem a trazer programadores de outros países para assistir à programação local durante o FIT-BH.  Segundo ele, será aberto um edital para apoiar os espetáculos convidados a se apresentarem em outros festivais e países. O investimento previsto para o segundo semestre deste ano é de R$ 400 mil. Além disso, o projeto deve desdobrar-se em coproduções internacionais. “Estamos negociando com cidades como Montevidéu; Havana; Berlim e Colônia, na Alemanha; Lille, na França; e Barcelona, na Espanha. As pontes estão sendo construídas”, diz Pinheiro.

Dívidas. Pinheiro explica que o orçamento do festival em 2012 era de R$ 6 milhões, mas extrapolou em R$ 1,3 milhão, o que corresponde à dívida ainda não paga a fornecedores. “Esse pagamento não estava previsto, por isso, como gestão que estava entrando, tivemos por obrigação legal que encaminhar esse assunto para a controladoria do município, para que auditasse todos esses contratos existentes e nos autorizasse a fazer o pagamento. Não era possível usar o orçamento deste ano. A gestão anterior tem que explicar por que excedeu”.

Orçamento. A edição deste ano conta com R$ 5,5 milhões de recursos diretos do poder público.

 

07/05/2014 TAGS: Belo Horizonte, FIT-BH, política cultural, programação 1 COMMENT
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