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Horizonte da Cena

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entrevistas

13 perguntas para a coordenação do FIT-BH 2014

Por Soraya Belusi::

O Horizonte da Cena entrevistou o coordenador do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua de Belo Horizonte (FIT-BH 2014), Cássio Pinheiro, sobre a inclusão dos espetáculos “Memórias em Tempos Líquidos” e “La Cena”, de Anita Mosca, na grade internacional. Ambas as montagens têm integrantes estrangeiros em sua equipe – uma uruguaia e uma italiana, respectivamente –, mas que já estão identificados com a cena belo-horizontina e residem na cidade. Os trabalhos, inclusive, cumpriram temporada na cidade em 2013.

anita Mosca protagoniza "La Cena" (foto FIT/divulgação)

Anita Mosca protagoniza “La Cena” (foto FIT/divulgação)

O coordenador explica que a escolha se deu pelo fato de os dois espetáculos já terem um perfil de internacionalização, o que vai ao encontro das ações que a FMC pretende aprofundar e incentivar. Mas ele afirma que nenhum apoio (financeiro ou institucional, verbal ou assinado) tenha sido pré-firmado com as produções para viagens internacionais ou qualquer outra ação, o que entra em contradição com o que foi relatado pela atriz Jimena Castiglioni a este mesmo espaço (veja aqui).

Cássio Pinheiro demonstrou irritação no decorrer da entrevista pela insistência da repórter em questionar essas contradições e foi enfático em afirmar que não percebe qualquer irregularidade ou equívoco na inclusão das montagens já que ambas, segundo ele, têm caráter de parceria internacional e isso só foi reconhecido pelo FIT 2014.

Confira a entrevista na íntegra:

Por que e como o FIT tomou a decisão de incluir os espetáculos “Memórias em Tempos Líquidos” e “La Cena” na grade internacional?
O “La Cena” nos chegou como uma proposta de espetáculo internacional. Neste caso, ela (Anita Mosca, atriz e idealizadora do espetáculo) até fez a inscrição para participar da seleção local, mas, antes que ela se apresentasse, nós arguimos se o espetáculo dela era local ou internacional, já que, entre outras coisas, ela pedia tradução. Fizemos um contato com ela e acreditamos que o trabalho se encaixa na grade internacional. Sobre o “Memórias em Tempos Líquidos”, nós identificamos, junto com o Consulado do Uruguai, que era uma produção de uma atriz que vem de Montevidéu, que desenvolve trabalhos lá e cá, e percebemos que o espetáculo já tem ações de internacionalização.

Mas o “Memórias em Tempos Líquidos” não se apresentou para a comissão de seleção de espetáculos locais?
Não, eles não participaram da apresentação para a seleção. Antes disso, eles foram chamados aqui para uma reunião e, na conversa com eles, identificou-se um intercâmbio que já acontece.

Qual é então o critério que vocês utilizam para definir o que é um espetáculo internacional ou uma coprodução?
Depende de como o espetáculo se coloca. No caso do “Memórias…”, ele tem apoio do Uruguai e também daqui. No caso do “La Cena”, a Anita é italiana e considera o espetáculo uma produção internacional. Qual o problema nisso?

Nesse sentido, então, o Mayombe, por exemplo, cuja diretora é chilena, poderia estar na grade internacional?
Não é isso que eu disse. Mas sim que não é exatamente de onde ele surge, de onde ele acontece, que define qual o lugar dele na grade, mas se já tem uma ação internacionalizada. A Fundação Municipal de Cultura detectou essas ações que vêm da própria sociedade civil e deu visibilidade para elas. Essa é uma função do poder público.

Em entrevista ao Horizonte da Cena, a Jimena Castiglioni afirmou que havia um pré-acordo de que o FIT bancaria as passagens do espetáculo para Montevidéu. Isso procede?
A Fundação só conversa institucionalmente. Há uma conversação com a Intendência de Montevidéu, através do Consulado, para a celebração de um convênio que estabelece uma série de ações entre BH e Montevidéu nas artes cênicas. Isso está sendo alinhavado com um convênio entre as duas cidades, como já acontece, por exemplo, com o Instituto Cervantes. A partir daí, vamos viabilizar ações conjuntas.

Jimena Castiglioni e Eliseu Custódio em cena de "Memórias em Tempos Líquidos" (Guto Muniz/Divulgação)

Jimena Castiglioni e Eliseu Custódio em cena de “Memórias em Tempos Líquidos” (Guto Muniz/Divulgação)

Porém, a Jimena afirma que há um acordo “de palavra”. Isso não afeta a credibilidade do Intercena?
A Fundação não pode fazer nenhum acordo com grupos de teatro. Tem que ser ação institucional, ela é feita via convênio ou edital, desde que esse convênio tenha interesse público. No caso, o Intercena está alinhavando convênios com instituições públicas para a parceria de fomento e difusão nos dois países (Brasil e Uruguai). No caso do “Memórias em Tempos Líquidos”, foi identificado que ele já se colocava como uma parceria entre Uruguai e Belo Horizonte.

Nada foi prometido para o grupo?
Acordos são feitos institucionalmente. Não posso, nem prometi nada a eles.

Que tipo de coprodução internacional é essa em que os espetáculos já existiam previamente ao FIT? Se os artistas moram todos aqui e, inclusive, os espetáculos já cumpriram temporada em BH?
É uma coprodução deles. Quem faz coprodução é grupo com grupo. Não chamamos de coprodução, mas sim de espetáculos que têm uma parceria entre dois países. O que define um espetáculo? Você acabou de me dizer que a Anita mora aqui, estuda aqui, eu nem sabia disso. E isso não importa. A residência dela é aqui, mas ela apresentou o trabalho como espetáculo internacional. Não entendo a insistência nisso.

Os dois espetáculos se inscreveram (ou iriam se inscrever) para a seleção de espetáculos locais. Ou seja, eles se consideram locais. Por que se tornaram internacionais após uma conversa? Não parece estranho?
Nenhum dos dois chegou a se apresentar como local. E, como já expliquei, ambos têm características de internacionalização.

Na entrevista que a Jimena nos concedeu, ela chega a afirmar que esse apoio com as passagens se daria pelo Intercena. Como o “Memórias…” se adequa dentro do Intercena, se o projeto só será lançado na tarde de hoje (13/5)?
A FMC, ao saber que há essa parceria, esse apoio que já vem do governo do Uruguai para o espetáculo, vendo que é uma inciativa do grupo de sociedade civil em promover esse intercâmbio e que está em consonância com as ações da FMC, nós estamos simplesmente valorizando essa iniciativa, colocando em destaque na grade do FIT e avançando na conversa com Uruguai para ver o que pode ser feito entre os dois países. Isso não garante nada ao grupo. Não tem nada de errado nisso.

O Intercena acaba de ser lançado. Como vai funcionar a escolha dos grupos? Será aberto um edital?
O Intercena prevê a participação de grupos via o intercâmbio das artes cênicas, seja no plano de difusão de grupos entre países, residência artística, troca de saberes, que valorizem as artes cênicas dos países em questão. Ele não se restringe à circulação do espetáculo. A participação dos grupos se dará via edital ou por convênios que sejam de interesse público para ambas as partes.

Você não acha que os outros grupos podem se sentir lesados por uma parceria fechada antes do lançamento do projeto?
Não, porque são coisas distintas. O grupo Dormentes foi convidado apenas para integrar a grade internacional do FIT por já ter uma ação que nós consideramos que é de cooperação internacional. E, na conversa com o cônsul geral do Uruguai, avançou-se em negociações para ter um convênio internacional com a FMC.

Mas, se o grupo for aprovado no Intercena, por exemplo, não abre para esse questionamento de que já estavam “acertados” com a FMC?
Eu não posso falar em termos de “se”. Até agora, há apenas a valorização desse grupo que já vem desenvolvendo esse trabalho de cooperação e que está em consonância com a FMC e com o que prevê o Intercena. Só isso.

Você confirma que foi formado um acordo de palavra com eles ou não?
Não, não foi. Vai ser firmado um convênio com a Intendência de Montevidéu, e o grupo que tiver agenda e perfil para esse convênio, pode vir a ser apoiado.

15/05/2014 TAGS: Belo Horizonte, FITBH 2 COMMENTS
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2 Comments

  1. Débora Quintão 12 anos AGO REPLY

    O teatro é arte poderosa através da qual o homem de teatro se expressa e a sociedade se vê. Dada a importância dessa arte penso que devíamos tratá-la com ética. O fazer teatral merece respeito; da primeira ideia para a construção do espetáculo ao cair do pano.

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