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Horizonte da Cena

Horizonte da Cena

Luciana Romagnolli

coberturas

Guia de datas e horários para o FITBH 2014

Guia de datas e horários para o FITBH 2014

Confira a programação do FITBH – Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua, que acontece em Belo Horizonte durante o mês de maio.

Veja também, ao fim, as sinopses dos espetáculos.

Prazer
06, 07 e 08, às 21h, no Francisco Nunes

Klássico (com K)
06 e 07, às 20h, na Funarte MG

Café?
07, às 9h e 17h, na Estação BH Bus Venda Nova
08, às 9h e 17h, na Estação do Move São Gabriel
09, às 9h e 17h, na Estação BH Bus Diamante
12, às 9h e 17h, na Estação Rodoviária

As Raízes do Mineiro Pau e do Boi Pintadinho
07, às 15h30, no Parque Santa Lúcia
08, às 15h30, no Cras Novo Aarão reis (regional norte)
09, às 18h30, na Praça do Encontro | Espaço Cortição (regional Venda Nova)
10, às 16h, no Parque Professor Guilherme Lage (regional nordeste)

Menino Azul
08 e 09, às 15h30, no Teatro da Cidade

O Homem Travesseiro
09 e 10, às 21h; e 11, às 19h30, no Teatro Marília

1325
09 e 10, às 21h; e 11, às 19h30, no Teatro da Biblioteca Pública

De Mala às Artes
09, às 15h30, na av. Cachoeirinha (próx. à Casa de Candongas)11, às 16h30, no Parque Estrela Dalva (regional oeste)
20, às 09h, no Parque Municipal

O Líquido Tátil
10, às 21h; e 11, às 20h, na Sala Juvenal Dias (Palácio das Artes)

Oratório – A Saga de Dom Quixote e Sancho Pança
10, às 20h; e 11, às 19h, no Teatro Francisco Nunes

Memórias em Tempos Líquidos
10, às 21h; e 11, às 19h30, no Oi Futuro

De Nós Dois, Só
10 e 11, às 20h, no Teatro Marília

Augenblick Dream
10 , 11, 13, 14 e 15, às 11h, 14h 30 e 16h30,  no Parque Municipal

Jamais 203
10, às 17h30, da Avenida Andradas (próx. ao Parque Municipal) à Praça da Estação

Fábrica de Nuvens
12 e 13, às 21h15, no Galpão Cine Horto

Pereiras – Festival de Ideias Brutas Ep. 01 + Açougue dos Pereiras
12, às 20h; e 13, às 20h30, no Espaço Ambiente

Matéria Prima
13, às 20h; 14 e 15, às 15h; e 16 e 17, às 20h; e 18, às 19h, no Teatro Francisco Nunes

John e Joe
13 e 14, às 20h, na Funarte MG (galpão 3)

As Rosas do Jardim de Zula
13 e 14, às 20h, no Teatro da Cidade

Orsini Marionetes
13 e 14, às 20h, na Casa do Beco
15 e 16, às 20h, no Centro Cultural Vila Fátima (regional leste)
17 e 18, às 18h, no Teatro da Cidade
19 e 20, às 20h, no Point Barreiro (regional Barreiro)

O Caboclo Zé Vigia
13, às 19h30, no CRAS Zilah Sposito (regional norte)
14, às 19h30, na Praça do Encontro | Espaço Cortição (regional Venda Nova)

Órbita
14 e 15, às 21h, no Teatro Marília

S/Título, Óleo Sobre Tela
14 e 15, às 19h30, na Funarte MG (galpão 1)

Isso É para a Dor
14 e 15, às 21h, no Teatro Bradesco

A Cobra Vai Fumar – Uma Estória da FEB
15, às 15h30, na Av. Cachoeirinhas (próx. à Casa de Candongas)
17, às 16h30, no Parque Ecológico (regional Pampulha)
18, às 11h, na Praça do Encontro | Espaço Cortição (regional Venda Nova)

Acontecimento em Vila Feliz
15, às 15h30, no Conjunto IAPI (regional noroeste)
18, às 16h30, no Centro Cultural São Bernardo (regional norte)

A Noite Devora Seus Filhos
16 e 17, às 19h30, na Funarte MG (galpão 4)

…E Peça que Nos Perdoe
16 e 17, às 22h, no Galpão Cine Horto

Sabiás do Sertão
16, às 15h30, no Parque Estrela Dalva (regional oeste)
17, às 18h, na Praça Duque de Caxias (regional leste)
18, às 16h30, no Parque Professor Guilherme Lage (regional nordeste)

Para se tá Mal, Ensaio de uma Manifestação para Poder
16, às 15h30, no Centro Cultural Salgado Filho (regional oeste)
17, às 11h, na Praça do Confisco (regional Pampulha)

Por Pouco
17, às 21h; e 18, às 20h, no Teatro Marília

Adormecidos
17h, às 21h; e 18, às 19h, na Funarte MG (galpão 1)

Get Out
17 e 18, às 20h30, no Teatro da Biblioteca Pública

Aldebaran
17 e 18, às 20h, no Teatro Bradesco

De Banda para a Lua
17 e 18, às 19h30, no Cine Theatro Brasil Vallourec

Hamlet
17, às 20h; e 18, às 19h, no Palácio das Artes

O Quadro de uma Família
17 e 18, às 15h, no Espaço Ambiente

Kalabazi
17, às 15h, no Parque Ecológico (regional Pampulha)
17, às 17h30, na Praça Duque de Caxias (regional leste)
18, às 10h, na Praça do Encontro | Espaço Cortição (regional Venda Nova)
18, às 15h30, no Parque Professor Guilherme Lage (regional nordeste)

Salada Mista
19, 20 e 21, às 15h, no Galpão Cine Horto

Ballett Bundesjugenballett + Young Euro Classic Ensemble Brasil-Alemanha

19, às 20, no Teatro Bradesco

Duas Mulheres em Preto e Branco
20 e 21, às 20h30, no Teatro Marília

Emília
20 e 21, às 20h, na Funarte MG (galpão 3)

Frag#3 Aproximacion a la Idea de Desconfianza
20, 21 e 22, às 20h, na Funarte MG (galpão 4)

La Cena
20 e 21, às 22h, no Espaço Ambiente

Es Sagt mir Nichts, das Sogenannte DrauBen
21, às 21h; e 22, às 19h e 21h, no Teatro Francisco Nunes

Finucane & Smith’s Glory Box
21, 22, 23 e 24, às 22h30; e 25, às 19h30, no Centoequatro

Cine_Monstro
23 e 24, às 21h; e 25, às 19h30, no Teatro Marília

Fichenla si Pueden
23, 24 e 25, às 19h30, na Funarte MG (galpão 1)

I Call My Brothers/ Ich Rufe Meine Brüder
23 e 24, às 21h; e 25, às 19h, no Teatro Bradesco

Rapsódia para el Mulo
23, 24 e 25, às 17h, no Galpão Cine Horto 

A Pereira da Tia Miséria
23, às 15h30, no Point Barreiro (regional Barreiro)
24, às 16h30, Parque Jacques Costeau (regional oeste)
25, às 16h, no Centro Cultural Pampulha

Concertos para Bebês
24 e 25, às 10h30 e 17h, no Teatro Francisco Nunes

À Distância/ Lado A
24 e 25, às 17h30 e 19h, na Funarte MG (galpão 3)

À Distância/ Lado B
24 e 25, às 17h30 e 19h, na Funarte MG (galpão 4)

Era uma Vez Grimm
24 e 25, às 16h e 20h30, no Cine Theatro Brasil Vallourec
Os Gigantes da Montanha
25, às 20h, no Estadio Mário Ferreira Guimarães (Baleião) | Aglomerado da SerraINTERNACIONAIS 

1325 
Grupo: Peripécia Teatro/Vila Real – Portugal
Vila Real – Portugal
Gênero: Drama
Texto: Peripécia Teatro
Direção: José Carlos Garcia e Peripécia Teatro
Elenco: Angel Fragua; Noelia Dominguez; Sérgio Agostinho.
Duração: 1h15 min
Classificação etária: 12 anosEm 1325, três senhoras vivem num espaço habitado por roupas e memórias. A partir de
atividades domésticas, canções de ninar e jogos de criança, emergem personagens históricos
como Rosa Parks, Aung San Suu Kyi, Aminetu Haidar, Wangari Maathai ou Graça Machel. O
espetáculo aborda histórias de vida de mulheres, cujo ativismo contribuiu, ou contribui ainda,
para um clima de paz, justiça e dignidade humana.Augenblick Dream 
Grupo: Eolie Songe/Lille – França
Gênero: Multimídia
Texto: Laurent Mulot e Thierry Poquet
Direção: Laurent Mulot and Thierry Poquet
Elenco: Charles Pietri e Pierre Pietri Duração: 27 min
Classificação etária: 12 anosCercado por imagens e evidências científicas, um homem dança com seu reflexo em um
espelho colocado no centro de uma tenda. Ele vai em busca de seu duplo em outra dimensão,
a dos sonhos. Augenblick Dream é uma experiência sonora e visual que impulsiona o
espectador para o centro de investigação da antimatéria (CERN), no grande acelerador de
partículas, situado a 100 metros de profundidade, na fronteira franco-suíça.Emilia 
Grupo: TIMBRe4/Buenos Aires, Argentina
Gênero: Drama
Texto e direção: Claudio Tolcachir
Elenco: Elena Bogan, Carlos Portaluppi, Adriana Ferrer, Francisco Lumerman e Gabo Correa
Duração: 1h30min
Classificação etária: 16 anos

Após anos de separação, um homem reencontra sua babá, Emilia, e retoma o laço da infância.
Ele, adulto, com mulher e filho. Ela, idosa e sozinha. O homem passa a recordar os fatos
esquecidos de quando era criança, compondo uma ficção na qual tem sua vida marcada por
essa experiência. A criança cresceu, mas quem pode saber se a essência do amor que se
formou em sua infância permanece em sua estrutura emocional? A busca de Emília por um
abrigo pode ser sua ruína ou salvação. É um drama delicado sobre a estrutura familiar e sobre
a dor do outro.

Es sagt mir nichts, das sogenannte Draußen/ The so-called outside means 
nothing to me 
Grupo: Maxim Gorki Theater Berlin /Berlim – Alemanha
Gênero: Comédia
Texto: Sibylle Berg
Direção: Sebastian Nübling
Elenco: Nora Abdel-Maksoud, Suna Gürler, Rahel Jankowski e Cynthia Micas
Duração: 1h15min
Classificação etária: 16 anos

Anoitece. Uma mulher sozinha em seu apartamento se comunica com amigos pela internet;
sua mãe telefona. No porão, alguns andares abaixo, um homem é amarrado e amordaçado,
mas acompanha tudo o que se passa acima em tempo real. Es sagt mir nichts, das
sogenannte Draußen fala dos medos das jovens mulheres, seus desejos e obsessões pelo
sucesso, perceptíveis em suas vidas saturadas pelas mais variadas mídias. Da loucura no culto
ao corpo, do exagero nas compras, das farras pela noite, do negócio de drogas caseiras pela
rede. Nesta narrativa abrasiva de respostas das mulheres aos seus mundos, algumas perguntas
permanecem: de onde vem tanta desorientação e como as mulheres realmente querem viver
suas vidas?

Fíchenla si pueden 
Gênero: Drama
Texto: Jean-Paul Sartre
Adaptação: Carlos Celdrán, a partir de A Prostituta Respeitosa
Direção: Carlos Celdrán
Elenco: Yuliet Cruz, Alexander Díaz, José Luis Hidalgo, Marcel Oliva, Waldo Franco e Ernesto Fidel Del
Cañal Duração: 1h15
Classificação etária: 16 anos

Lizi é uma jovem prostituta que acabou de chegar ao interior, fugindo de problemas na capital.
Ela se envolve com um jovem local de quem vira amante logo na primeira noite. No
surpreendente desenrolar dos fatos, Lizi se vê envolta em pressão e chantagens para que
testemunhe contra um inocente. A dignidade e o senso de justiça levam a protagonista a um
dilema e a assumir consequências impensadas. Lizi, em poucas horas deixa de ser quem é e se
vê obrigada a fazer escolhas exemplares.

Frag#3 Aproximacion a la idea de desconfianza 
Grupo: Evelyn B. / PitouStrash Company/ Estrasburgo -França
Gênero: Multidisciplinar
Texto: Rodrigo Garcia
Direção: Evelyn Biecher
Elenco: Michael Steffan, Julie Pichavant e Evelyn Biecher
Duração: 1h
Classificação etária: 18 anos

Frag#3 faz uso de espaços abertos não convencionais, utiliza uma linguagem teatral
multidisciplinar. Um quadrado de plástico transparente marca a fronteira. Um vídeo é projetado
nas paredes como um cenário vivo em constante mudança, com três microfones para os sons
que os atores fazem. Um corpo está lambuzado de mel, em alusão a um Dunkin Donut. Um
homem está enterrado, e é vestido com um plástico elástico que sai da terra. Um corpo, em
meio a argila líquida, salta fora da água como um peixe e é acompanhado por cinzas que
flutuam, simbolizando as vítimas do Holocausto.
Há projeção de tinta vermelha como chibatadas em um corpo nu e que mostram as cicatrizes
do egoísmo humano. Individualismo e consumismo são as temáticas do espetáculo, carregado
de crítica social.

Finucane & Smith’s Glory Box 
Grupo: Finucane & Smith/ Melbourne – Austrália
Gênero: Cabaré
Texto e direção: Moira Finucane e Jackie Smith
Elenco: Moira Finucane, Saint Clare, Holly Durant, Anna Lumb, Lily Paskas e Azaria Universe
Duração: 1h50min
Classificação etária: 16 anos

Verdadeiro cabaré, Glory Box é uma comédia underground, surpreendente e ousada, que
seduziu e capturou a imaginação de plateias em 10 línguas distintas. Esquetes feitos com
competência e maestria por inimitáveis divas performáticas – que encantam com sua alegria e
desempenho físico vulcânico e exótico, em atuações que vão do circense aos mais góticos dos
sonhos – desafiam as definições de gênero, com diversão e entretenimento num trabalho que
provoca público e crítica.

Hamlet 
Grupo: Berliner Ensemble/Berlim – Alemanha
Gênero: Tragédia
Texto: William Shakespeare
Direção: Leander Haussmann
Elenco: Roman Kaminski, Traute Hoess, Christopher Nell, Norbert Stöß , Johanna Griebel, Felix
Tittel, Luca Schaub, Peter Miklusz, Georgios Tsivanoglou, Boris Jacoby, Joachim Nimtz e Peter Luppa.
Duração: 3h 30 min (com intervalo)
Classificação etária: 14 anos

Hamlet, o pensador melancólico, indeciso e incapaz de agir? Resignado com o insolúvel dilema
entre a consciência e decisão? Não na encenação de Leander Haussmann. O mundo está fora
do prumo e algo está podre no reino da Dinamarca. O rei está morto. O jovem príncipe
Hamlet é impressionante. Ele está preso em si e parece traumatizado com o rapidíssimo
casamento de sua mãe com o assassino de seu pai – o agora novo governante, Cláudio. O pai
de Hamlet aparece como um fantasma, reivindicando satisfação. Hamlet lhe obedece e jura
vingança, depois de hesitar um pouco. Sua vingança é puramente pessoal e sem motivação
política. Como um maníaco, troca a palavra pela espada e inicia um jogo sangrento e homicida,
do qual ninguém é poupado.

I call my brothers/ Ich Rufe Meine Bruder 
Grupo: Ballhaus Naunynstraße Berlin / Landestheater Niederösterreich St. Pölten/Berlim – Alemanha
Gênero: Filme Noir/Comédia/Thriller/ Drama
Texto: Jonas Hassen Khemiri
Direção: Michael Ronen
Elenco: Nora Abdel-Maksoud, Jerry Hoffmann, Marion Reiser e Jan Walter
Duração: 70 min
Classificação etária: 14 anos

Um dia após o ataque em Estocolmo, em 2010, no qual o assassino morreu e dois pedestres
ficaram feridos, Amor anda pelas ruas da cidade e chama os seus irmãos, sua melhor amiga, seu
primo e seu amor de infância, por quem ainda é perdidamente apaixonado. Um dia quase
totalmente comum na vida de um jovem completamente normal, que pela primeira vez na vida,
tem que olhar para um espelho segurado por outros. “Quem são os outros? Não há outros. Há
extremistas em todos os lados tentando nos fazer crer que tais outros de fato
existem. Qualquer um falando sobre os outros é um idiota.”

Jamais 203 
Grupo: Generick Vapeur/Marselha – França
Gênero: Teatro de rua
Texto: Caty Avram e Pierre Berthelot
Direção: Caty Avram e Pierre Berthelot
Elenco: Caty Avram, Laurent Martin, Patricia Gome, Kevin Morizur, Alex Tabakov, Jean Paul Kuntz,
Bernard Llopis, Bathélémy Bompard, Alain Casset, Pia Haufeurt, Géraldine Rieux, Olivier Brun, Hervé
Richaud, Pierre Bougourd, Alexandre Lejeune
Duração: 60 min
Classificação etária: Livre

A Grande Largada é dada pelo diretor de prova, que apresenta as equipes. É um caleidoscópio
humano em sua diversidade física e mental. A saga esportiva começa, e os palcos se sucedem,
em um ritmo infernal: o circuito, a montanha, a corrida contra o relógio, “de pé nos pedais”,
“break away”. O conjunto, uma esfera de bicicletas, engole os ciclistas que, em uma súbita mudança de
marcha, são cuspidos para o asfalto, aplaudidos por todos; eles vão superar as dificuldades, de
cabeças erguidas e costas curvadas sobre as barras em que se apoiam, rumo à vitória.
Porém, como qualquer mecanismo bem azeitado, um grão de areia ou uma gota d´água
desencadeia uma série de incidentes e acidentes. A aventura JAMAIS 203 é uma sátira
agridoce da sociedade, porque a vida é um esporte!

Kalabazi 
Grupo: Tita8lou /Suiça
Cidade/Estado/país
Gênero: Circo/clown
Texto: Jessica Arpin
Direção: Vincent Aubert e Jessica Arpin
Elenco: Jessica Arpin
Duração: 50 min
Classificação etária: Livre

Uma jovem e excêntrica mulher, de vestido de bolinhas, quer se casar. Mas não pode ser com
qualquer um! Então, ela organiza um concurso de amor com os espectadores, a quem seduz
com acrobacias em sua bicicleta amarela. Quem será o escolhido? Kalabazi é uma mistura de
circo, palhaçada e poesia. O espetáculo já se apresentou mais de 500 vezes em 18 países, 8
línguas e 23 dialetos.

La Cena 
Grupo: Anita Mosca/Brasil e Itália
Gênero: Drama
Texto, direção e elenco: Anita Mosca
Duração: 1h30m Classificação etária: 14 anos

Uma mulher acolhe os convidados/espectadores em um jantar mediterrâneo à volta de uma
mesa suspensa no tempo. Lugar de encontro e desencontro, de amor e de tensão, de
expectativas e desilusões da família, a mesa é o ponto nevrálgico da casa. Lembranças de
adolescente se entrelaçam a feridas de vida, fotos de família, conquistas de gênero, fragmentos
de amor em um caos temporal que encontra a própria ordem no código teatral. Tudo,
retratado pelo vinho tinto, pelas canções antigas e pelo azeite agridoce da costa mediterrânea.
La cena é a história de uma atriz que mistura elementos biográficos com elementos ficcionais,
para retratar a questão feminina.

Matéria Prima 
Grupo: La Tristura/Madrid -Espanha
Gênero: Drama
Texto: Itsaso Arana, Pablo Fidalgo, Violeta Gil e Celso Giménez
Direção: La Tristura
Elenco: Ginebra Ferreira, Gonzalo Herrero, Siro Ouro e Candela Recio
Duração: 75 min
Classificação etária: 12 anos

No palco quatro atores nascidos após o ano de 2000 protagonizam diálogos e situações
adultas. A obra oferece a oportunidade de ver que somos corpos históricos e políticos desde
o nascimento, dotados de significados múltiplos. Trazer crianças para a cena – encarnando
adultos – torna a obra ainda mais cruel e, talvez até, necessária. É estranho escutá-los falar
como adultos, ou tudo atualmente nos parece normal? Matéria Prima faz uma reflexão
significativa sobre o que o homem está fazendo da sua existência, das relações com o outro e
com o mundo em que vive.

Memórias em Tempos Líquidos 
Grupo: Dormentes/ Brasil-Uruguai
Gênero: Drama
Texto: Jair Raso
Direção: Joaquim Elias Elenco: Jimena Castiglioni e Eliseu Custodio
Duração: 55 min
Classificação etária: 14 anos

Esta é a história de Hugo e Dora. Um casal comum, que depois de algum tempo juntos, entra
em crise e Dora decide se separar. Tudo poderia ter sido como na história de inúmeros casais,
porém Dora sofre um acidente, perde parte de sua memória e ao acordar não se lembra do
marido. Hugo, na tentativa de recuperar o amor perdido, esconde de Dora o fato da
separação. Enquanto ela tenta resgatar sua memória, ele tenta reconquistar sua mulher.

Orsini Marionetes 
Grupo: Orsini/ Rosario – Argentina
Gênero: Teatro com objetos
Texto, direção e elenco: Ruben Orsini
Duração: 55 min
Classificação etária: Adulto

O marionetista dá vida a vários personagens e assim apresenta diferentes histórias urbanas que
surpreendem e emocionam o público. O espetáculo é sustentado por objetos feitos de
resíduos coletados na rua que voltam à vida em oito histórias, que resgatam a beleza no
terrível, em uma tentativa de se conectar com os sentimentos do mundo humano. Orsini
Marionetes é uma antologia de breves momentos em que pequenas criaturas são
manipuladas para refletir sobre situações instantâneas de rua.

Rapsodia para el mulo 
Grupo: El Ciervo Encantado/Habana – Cuba
Gênero: Drama
Texto e direção: Nelda Castillo
Elenco: Mariela Brito
Duração: 55 min
Classificação etária: 16 anos

Rapsodia para el mulo é inspirado na faceta mais difícil da realidade cubana atual e no
poema de José Lezama Lima. Confronta a visão da Cuba utópica enquanto incorpora os
complexos processos sofridos na atualidade do país. O corpo nu da atriz, em constante
tensão, aqui torna-se o principal palco de um conflito, a manifestação de um colapso, a
evidência da aniquilação. A crueza das imagens requer um olhar urgente para um contexto no
qual não somos espectadores. Denúncia e catarse, o desempenho é como uma instalação em
movimento, um chamado a recuperar a consciência que rompe a ficção para mostrar ao
espectador uma imagem nada complacente de si mesmo.

FITINHO

Concertos para Bebês 
Grupo: Musicalmente/Leiria – Portugal
Gênero: Musical
Direção: Paulo Lameiro
Elenco: Alberto Roque, José Lopes,Nuno Gonçalves, Pedro Santos, Cristiana Francisco, Inesa Markava,
Isabel Catarino e Paulo Lameiro
Duração: 45 minutos
Classificação etária: 0 a 3 anos

Concertos para Bebês é uma produção portuguesa pioneira no domínio das artes cênicas
para a primeira infância. Saxofones, clarinetes, berimbaus, cavaquinhos e outros sons da terra
viajam por Mozart, Bach e Monteverdi. Um acordeão observa uma bailarina atrevida. Na
plateia, muitas chupetas, sorrisos e olhos de espanto. Os cantos não têm palavras, mas estas
contam muito pouco das emoções partilhadas entre artistas e bebês.

De Banda para a Lua 
Grupo: Armatrux/Nova Lima – Minas Gerais
Gênero: Teatro de formas animadas
Texto e direção: Eid Ribeiro
Elenco: Cristiano Araújo, Eduardo Machado, Paula Manata, Raquel Pedras, Rogério Araújo e Tina Dias
Duração: 60 min
Classificação etária: Livre

Tonico e Bié moram na roça com o pai. Apaixonados pela lua e seus mistérios, os
dois irmãos, acompanhados pela mula Madrugada, vivenciam aventuras marcadas
por encantamento, trapalhadas, risos e sustos. O mundo da imaginação das
crianças é o palco perfeito para essa misteriosa e terna história povoada de seres
encantados, como São Jorge, o dragão e aparições de outro mundo. Uma marca
desta encenação é o uso do teatro de sombras, técnica essencial para a estética do
espetáculo e ingrediente perfeito para a construção do mundo encantado.

Era uma vez… Grimm 
Grupo: Belazarte Realizações Artísticas/RJ
Gênero: Musical
Texto e Letras: José Mauro Brant
Direção: José Mauro Brant e Sueli Guerra
Musica Original e Direção Musical: Tim Rescala
Elenco: Chiara Santoro, Janaina Azevedo, José Mauro Brant e Wladimir Pinheiro
Duração: 1h10min versão infantojuvenil / 1h30min versão adulto
Classificação etária: 10 anos versão infantojuvenil/12 anos versão adulto

Era uma vez… Grimm põe em cena os irmãos Grimm e seus narradores, contando e
interpretando os contos Chapeuzinho Vermelho, O Junípero e Cinderela, adaptados para
uma linguagem musical que remete à ópera, indo do terror ao humor. O elenco de atores
cantores é acompanhado de um quinteto de músicos eruditos de Recife. A encenação faz
surgir personagens de dentro de um livro gigante, suporte para as projeções de animação
gráfica. O espetáculo será apresentado em duas versões: adulto e infantojuvenil.

Menino Azul Palco 
Grupo: Matraca/Belo Horizonte – MG
Gênero: Teatro de bonecos
Texto: Juliana Palhares
Direção: Rodrigo Robleño
Elenco: Cauê Salles e Juliana Palhares
Duração: 40 min
Classificação Etária: Livre (A Partir De 01 Ano)

Era uma vez um menino azul chamado Francisco. Um menino de um azul nunca visto, um
menino diferente, que nasceu no alto, bem no alto de uma montanha. Essa é a história azul de
Francisco, de seu amor pelo riacho e pelos bichos que alegravam a sua vida. A peça traz dois
artistas que brincam de contar histórias com seus bonecos. Eles utilizam técnicas de
manipulação direta, de vara, de luva e manipulação de objetos.

Salada Mista 
Grupo: Cia. 2 em Cena de Teatro, Circo e Dança/Recife-PE
Gênero: Musical Infantojuvenil
Dramaturgia e encenação: Alexsandro Silva
Elenco: André Ramos, Arnaldo Rodrigues , Douglas Duan, Davison Wescley, Flávio Santana, Jerlane
Silva e Paula de Tássia
Duração: 60 min
Classificação etária: a partir de 03 anos

Sete crianças transformam o clássico conto de fadas Chapeuzinho Vermelho em uma telenovela
ambientada na década de 60 e com músicas da Jovem Guarda. Entre um capítulo e outro o
público se diverte com números de palhaços. Com música ao vivo o espetáculo fala do amor
de uma forma lúdica e divertida, discutindo conquista, namoro, casamento e também traição,
separação e violência doméstica. Salada Mista é uma divertida brincadeira de criança que
mistura teatro, música e palhaçaria.

BRASILEIROS

A Cobra vai fumar – Uma Estória da FEB 
Grupo: Teatro Popular União e Olho Vivo/São Paulo – SP
Gênero: Musical
Texto e direção: Cesar Vieira
Elenco: Ana Lucia Silva, Césinha Pivetta, Cícero Almeida,, Camila Morelli, Daniele Andrade, Edir
Evaristo da Silva, Isaias Cardoso, Luiza Maia, Michelle Gabriolli, Neriney Moreira, Osmar Azevedo,
Oswaldo Ribeiro, Rafinha Werblowsky e Thiago Nogueira.
Duração: 70 min
Classificação etária: 12 anos

A partir de relatos de pracinhas da Força Expedicionária Brasileira que combateram na Itália,
durante a Segunda Guerra Mundial (1944/45), o espetáculo conta, em fragmentos, as
implicações políticas e sociais que nortearam a ida de soldados brasileiros para lutar na Europa.
O título se refere ao emblema estampado no uniforme da tropa, que mostrava uma cobra
fumando. O homem do povo, sujeito da ação, convive em cena, com personagens históricos
como Getúlio Vargas.

À distância: Lado A / Lado B 
Grupo: Dearaque Cia. de Teatro/Florianópolis – SC
Gênero: Drama Texto: André Felipe
Direção: André Felipe
Elenco: Lado A: Ana Luiza Fortes e Marco Oliveira
Lado B: Heloisa Marina, Ligia Ferreira e Vinicius Coelho
Duração: 50 min
Classificação etária: 12 anos

Obra teatral formada por dois espetáculos autônomos, complementares e simultâneos, e que
podem ser vistos na ordem escolhida pelo público. A comunicação entre os dois palcos
acontece online, por videoconferência.
Em À Distância, cinco jovens representam seus avós na juventude, quando trabalhavam em
uma rádio clandestina esquecida no tempo.

Lado A
Documentário cênico sobre os integrantes da rádio clandestina, que anunciava transmitir de
uma estação diretamente do futuro. Personagens fazem um remake da última noite de
gravação.

Lado B
Uma casa em ruínas, uma família separada por uma briga pela herança. Por meio de fotos,
documentos, diários e relíquias, personagens confrontam versões e reconstroem a última noite
em que seus avós se falaram no casarão da família, local da transmissão.

A Pereira da Tia Miséria 
Grupo: Núcleo Ás de Paus/Londrina – PR
Gênero: Popular
Texto: Luan Valero Direção: Coletiva
Direção Musical: Eric D’Ávila
Elenco: Adalberto Pereira, Bruna Monã, Camila Feoli, Rebeca de Carvalho, Rogério Costa e Thunay
Tartari
Duração: 50 min
Classificação etária: Livre

Adaptação e montagem do conto de domínio público espanhol, A Pereira da Tia Miséria é
a história de uma velhinha que só tem uma casa arruinada e uma pereira no quintal, e de seu
filho, Fome, que percorre o mundo espalhando sofrimento. Enquanto isto, Tia Miséria tenta
proteger o pequeno patrimônio dos furtos da vizinhança. Um dia ela se vê obrigada a negociar
com a morte. Para contar esta história que aborda questões como a aparente imortalidade da
miséria, os integrantes recorrem a figuras alegóricas e gigantescas.

Adormecidos 
Grupo: Cia de Teatro Os Satyros/São Paulo-SP
Gênero: Drama
Texto: Jon Fosse
Direção: Rodolfo García Vázquéz
Elenco: Fábio Ock, Katia Calsavara, Luiza Gottschalk, José Sampaio e Tiago Leal
Duração: 1h 25min
Classificação etária: 14 anos

Adormecidos, texto do norueguês Jon Fosse, trata do relacionamento entre casais e seus
desdobramentos. Num ambiente de sonho e reflexão, aborda a maneira como cada indivíduo
projeta as suas próprias aflições e anseios em seu parceiro. Na peça, dois casais se revezam
no palco, num ambiente onírico em que sonho e realidade se confundem. Luzes, espelhos e
transparências os levam para outros planos que ora se fundem, ora se opõem.

As Raízes do Mineiro Pau e do Boi Pintadinho
Grupo: Cia Folclórica Boi de Miracema/ Miracema – RJ
Gênero: Cultura Popular/ Folclore
Texto: Domínio Popular
Direção: Roberto Silva Ramos
Elenco:
Duração: 30 a 50 min
Classificação etária: Livre

Era uma vez uma mulher grávida, que um dia teve o desejo incontrolável de comer a língua do
boi. O marido atendeu ao pedido e matou o boi, mas teve que ressuscitá-lo, pois era o
preferido do patrão, que queria ver seu boi-pintadinho girando no meio do terreiro na grande
festa. O marido, então, teve a ideia de vestir-se com o couro do boi para que seu patrão
ficasse contente. Esta é a história da manifestação popular, que em cena, além do boi, conta
com bonecas, mulinha e Jaraguá, uma espécie de bicho papão do folclore fluminense. A
encenação traz elementos do Mineiro Pau, dança com bastões que nasceu entre os escravos,
nos terreiros de café.

As Raízes do Mineiro Pau e do Boi Pintadinho 
Grupo: Cia Folclórica Boi de Miracema/Miracema – RJ
Gênero: Folclórico
Texto: Domínio Popular
Direção: Roberto Silva Ramos
Elenco: Anderson Leandro Santos da Silva, Carlos David da Silva de Souza, Deivison salustiano da
Silva, Deyvitiane Aparecida Salustiano da Silva, Emily de Oliveira Cezário- N°Certidão de Nascimento,
Felipe Pereira Carvalho, Igor Santos Nascimento, Jairo da Silva Alves, Jovane da Silva Oliveira, Lydiane
Silva Batista, Marcos Vinícius da Silva Moreira, Millis Quirino Leite, Mirela Quirino Leite, Natália
Gonsalves Lopes Pereira, Natany Gonçalves Lopes Pereira, Odila Oliveira da Silva, Rafael Bonifácio
Finamor, Roberto Silva Ramos, Robson da Silva Campos Júnior, Sagner Leite da Silva, Sara Vitória
Salustiano Araújo, Sávio Leite da Silva, Sebastião Ricardo Guimarães,Tainá Lima Azevedo, Thayná de Sousa da Silva, Thiago de Miranda David, Vinicius Samuel da Silva, Waldeny Batista da Silva,
Wiranilson Gonçalves Lopes Pereira
Duração: 30 a 50 min
Classificação etária: Livre

Era uma vez uma mulher grávida, que um dia teve o desejo incontrolável de comer a língua do
boi. O marido atendeu ao pedido e matou o boi, mas teve que ressuscitá-lo, pois era o
preferido do patrão, que queria ver seu boi-pintadinho girando no meio do terreiro na grande
festa. O marido, então, teve a ideia de vestir-se com o couro do boi para que seu patrão
ficasse contente. Esta é a história da manifestação popular, que em cena, além do boi, conta
com bonecas, mulinha e Jaraguá, uma espécie de bicho papão do folclore fluminense. A
encenação traz elementos do Mineiro Pau, dança com bastões que nasceu entre os escravos,
nos terreiros de café.

Café? 
Grupo: Cia. Efêmera/ São Paulo – SP
Gênero: Drama
Texto: Manuela Ramalho
Direção: André de Araújo
Elenco: Tatiana Lenna
Duração: 40 min
Classificação etária: 14 anos

O espetáculo trata do arquétipo feminino da espera. Uma mulher aguarda um grupo de amigos
para tomar café, e enquanto eles não chegam, conversa com a plateia contando várias histórias
de sua vida. Durante o monólogo, a fala se confunde com o fluxo da imaginação e surge, então,
a possibilidade de perceber diferentes visões de mundo numa só pessoa. Café? busca um
diálogo aberto entre a palavra, a atuação e a performance.

CINE_MONSTRO 
Enrique Diaz
Gênero: Drama
Texto: Daniel MacIvor
Direção: Enrique Diaz
Elenco: Enrique Diaz
Duração: 1h 30 min
Classificação etária: 16 anos

CINE_MONSTRO, uma peça solo, principia na escuridão total de uma sala de cinema. Um
longo silêncio é rompido por uma voz na plateia que provoca a pessoa ao lado, e o espetáculo
começa. O ator dá vida a uma espécie de mestre de cerimônias, que recebe o público para
narrar histórias que se cruzam curiosamente, e para contá-las, se transforma em 13
personagens. CINE_MONSTRO fecha a trilogia de textos do canadense Daniel MacIvor,
adaptados pelo ator e diretor Enrique Diaz.

Duas Mulheres em Preto e Branco 
Remo Produções Artísticas/Recife – PE
Gênero: Drama
Texto: Ronaldo Correia de Brito
Direção: Moacir Chaves
Elenco: Paula de Renor e Sandra Possani
Duração: 1h10min
Classificação etária: 14 anos
Duas mulheres que foram melhores amigas se descobrem numa situação de rivais, em disputa
pelo amor do mesmo homem. O assunto não teria qualquer novidade não fosse uma narrativa
tensa, cheia de mistérios, em que a vida de cada personagem se revela e se desvela em meio a
uma ação dramática que lembra um romance policial. Há imersões na recente história da
contracultura brasileira e no sonho frustrado das esquerdas das décadas de 60 e 70 do século
passado.

O Homem Travesseiro 
Grupo: Cia Teatro Esplendor/Rio de Janeiro – RJ
Gênero: Drama
Texto: Martin Mc Donagh
Adaptação: Ricardo Ventura
Direção: Bruce Gomlevsky
Elenco: Tonico Pereira, Bruce Gomlevsky, Ricardo Blat e Glauce Guima
Gustavo Damasceno
Duração: 2h 50 min
Classificação etária: 16 anos

O Homem Travesseiro narra, com suspense e agilidade, os últimos momentos de vida de
Katurian, um escritor que vive em um país fictício e simbólico da Europa central, governado
por um regime totalitário. Ele é interrogado por detetives que encontraram semelhanças entre
os contos fantásticos que ele escreve e uma série de assassinatos envolvendo crianças. A peça
propõe uma reflexão sobre o modo como um artista pode superar seus traumas por meio da
arte. E como a arte pode ser incômoda por seu teor transgressor e conscientizador.

Sabiás do Sertão 
Grupo: Cia. Cênica/São José do Rio Preto-SP
Gênero: Musical
Texto: Clara Roncati
Direção, direção musical e composições: Luiz Carlos Laranjeiras
Elenco: Antônio Bucca Junior, Cássia Heleno, Clara Roncati, Ícaro Negroni, José Maria Guirado, José
Neto Chiacchio, Simone Moerdaui e Vanessa Palmiéri
Duração: 1h10min
Classificação etária: 12 anos

Sabiás do Sertão – Teatro musical brasileiro em um ato, que transita pela vida e obra de
Cascatinha & Inhana, primeira dupla sertaneja formada por marido e mulher. O circo e o rádio
são trazidos à cena com os artistas contando, tocando e dançando a vida. O repertório é
recheado de toadas, guarânias, rasqueados, boleros, rancheiras, além de sucessos
imortalizadas nas vozes destes sabiás do sertão, como Índia e Colcha de Retalho. A peça
reverencia a cultura de raiz e o prazer da canção e do encantamento.

LOCAIS

JOHN & JOE 
Grupo: Grupo Trama de Teatro/Contagem -MG
Gênero: Tragicomédia
Texto: Agota Kristóf
Direção: Eid Ribeiro
Elenco: Carlos Henrique, Chico Anibal e Epaminondas Reis Duração: 1h10min
Classificação etária: 12 anos

O texto inédito da húngara naturalizada suíça Ágota Kristof, traz uma discussão sobre o poder
corrosivo do dinheiro. É num inusitado bar que John e Joe encontram-se diariamente.
Embalados por muitos goles de conhaque e muita música, eles levam e são levados pela rotina
da vida. Na ânsia de garantir o gole de cada dia, perdem-se entre golpes e falsas espertezas.
Quando a sorte dá as caras, esse acontecimento pode mudar o rumo dessa amizade… ou não.

Oratório, a saga de Dom Quixote 
Grupo: Cia Burlantins/Belo Horizonte – MG
Gênero: Musical
Texto: Eid Ribeiro
Direção: Paula Manata
Direção musical: Mauricio Tizumba
Elenco: Sérgio Pererê, Mauricio Tizumba, Josi Lopes, Alysson Salvador, Daniel Guedes e Everton
Coroné
Duração: 1h20min
Classificação etária: Livre

Após ler muitos romances de cavalaria, um fidalgo espanhol perde a razão e sai pelo mundo
em busca de aventuras, assim como os seus heróis. Oratório é uma peça teatral e musical
que revisita o extraordinário universo de Dom Quixote e de seu fiel escudeiro Sancho Pança,
com uma inusitada adaptação cênica do clássico literário de Cervantes. A opção por manter as
falas originais presentes na obra se soma a elementos da cultura brasileira.

Os Gigantes da Montanha 
Grupo: Grupo Galpão /Belo Horizonte-MG
Gênero: Fábula trágica
Texto: Luigi Pirandello
Direção: Gabriel Villela
Elenco: Antonio Edson, Arildo de Barros, Beto Franco, Eduardo Moreira, Inês Peixoto, Jimena
Castiglioni, Júlio Maciel, Luiz Rocha, Lydia Del Picchia, Paulo André, Regina Souza, Simone Ordones,
Teuda Bara e Marcelo Cordeiro,
Duração 1h20min
Classificação etária: Livre

A fábula Os Gigantes da Montanha narra a chegada de uma companhia teatral decadente a
uma vila mágica, povoada por fantasmas. A peça é uma alegoria sobre o valor do teatro e sua
capacidade de comunicação com o mundo moderno, cada vez mais pragmático. O ato final da
peça, que não foi escrito, mas que chegou a ser vislumbrado pelo autor em seu leito de morte,
descreve a cena trágica do embate entre a protagonista e os gigantes da montanha, povo
empreendedor que vive próximo da vila. A montagem mistura o clássico e o popular, traz uma
dramaturgia universal com aspectos da cultura brasileira, música ao vivo, e máscaras inspiradas
na Commedia dell’arte.

Por Pouco 
Grupo: Cangaral Produções Artísticas/MG
Gênero: Comédia
Texto: Samuel Benchetrit
Direção: Ary Coslov
Elenco: Ilvio Amaral, Maurício Canguçu, Flávia Fernandes e Wolney Oliveira
Duração: 80 min
Classificação etária: 10 anos

Por Pouco retrata de forma sensível os sonhos e o desejo de entender os afetos que se
perdem ao longo da vida. Dois idosos despertam em um hospital e recebem a informação que
têm pouco tempo de vida. Iniciam uma viagem maravilhosa, que é, ao mesmo tempo, uma fuga
do hospital e uma reflexão sobre os sentimentos preciosos do ser humano: amor, amizade e
paternidade. Texto deu origem ao emocionante filme Antes de Partir estrelado por Jack
Nicholson e Morgan Freeman.

Prazer 
Grupo: Cia. Luna Lunera/Belo Horizonte-MG
Gênero: Drama
Texto: Cia. Luna Lunera
Direção: Cláudio Dias, Isabela Paes, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves.Zé Walter Albinati
Elenco: Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva,Odilon Esteves,Isabela Paes.
Duração: 1h45min
Classificação etária: 16 anos

Num país qualquer, distante do Brasil, quatro amigos se reencontram. E apesar das suas
angústias, seus impasses cotidianos, suas frustrações, eles se encorajam para buscar a alegria.
Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector, foi o ponto de partida para a
montagem do espetáculo que tem direção e dramaturgia compartilhadas pelos integrantes da
trupe.
O processo criativo contou com as parcerias de Mário Nascimento, Roberta Carreri, Jô Bilac
e Éder Santos.

A noite devora seus filhos 
Grupo: Paisagens Poéticas/Belo Horizonte-MG
Gênero: Drama
Texto: Daniel Veronese
Direção: Gustavo Bones e Mariana Maioline
Elenco: Alexandre de Sena, Glaucia Vandeveld, Jésus Lataliza e Renata Cabral
Duração: 50 min
Classificação etária: 14 anos

Com riqueza de detalhes, uma mulher conta histórias de pessoas que cruzaram seu caminho
desde a infância. As lembranças sintetizam uma forma de ver o mundo, em que, mesmo diante
de tempos difíceis, é preciso resistir à brutalidade, preservar as emoções e cultivar as palavras,
ainda que elas se percam na noite. O texto estabelece tensões entre o medo do outro e a
necessidade de diálogo, e entre, a violência e o afeto.

Acontecimento em Vila Feliz 
Grupo: Cia. Pierrot Lunar/Belo Horizonte – Minas Gerais
Gênero: Drama Musical
Texto: Aníbal Machado
Direção: Léo Quintão
Elenco: Cristiano Diniz, Léo Quintão, Mariana Câmara, Neise Neves, Priscilla Cler e Ronaldo Jannotti
Duração: 55 min
Classificação etária: Livre

Versão teatral de conto homônimo de Aníbal Machado, Acontecimento em Vila Feliz
revela uma fictícia vila mineira às voltas com a suposta gravidez de uma de suas personagens
mais ilustres: Helena, jovem bonita e sedutora, amada pelos homens e invejada pelas mulheres.
Ao se casar com um forasteiro gera intrigas e maledicências por parte dos moradores, o que
transforma a vida de Helena num caos irreversível. O espetáculo cruza a linguagem de teatro
narrativo com a espacialidade de ruas, além do encontro com a música popular, executada e
cantada ao vivo pelo elenco.

Aldebaran
Grupo: Grupo Oficcina Multimédia/Belo Horizonte – Minas Gerais
Gênero: Multimeios
Texto e direção: Ione de Medeiros
Elenco: Escandar Alcici Curi, Henrique Mourão, Igor Ayres, Jonnatha Horta Fortes e Sérgio Salomão
Duração: 75min
Classificação etária: 14 anos

Aldebaran, estrela de altíssimo brilho, simboliza a figura do bem, em contraponto aos
monstros, que povoam o imaginário dos homens e os assombram em seus sonhos e pesadelos.
A presença dos monstros propõe uma reflexão sobre a própria dualidade do ser humano,
oscilando entre o bem e o mal, e se deslocando entre o mundo real e o conto de fadas. O
espetáculo, que mescla todas as linguagens artísticas, trata de desvios e arbitrariedades da
humanidade que desencadearam uma desordem que se estendeu para a natureza e para tudo o
que nos cerca.

As Rosas no Jardim de Zula 
Grupo: Zula Cia. de Teatro/ Belo Horizonte – MG
Gênero: Teatro Documentário
Texto: Zula Cia. de Teatro e Cida Falabella
Direção: Cida Falabella
Elenco: Andréia Quaresma e Talita Braga
Duração: 1 h
Classificação etária: 14 anos

As Rosas no Jardim de Zula conta a história real de Rosângela, mãe de uma das atrizes do
grupo. Um dia, Rosângela abandonou os três filhos e foi viver na rua por dois anos. Passou pela
trajetória de drogas, prostituição e violência. O espetáculo mergulha na história desta mulher e
desmistifica, de uma forma poética e respeitosa, a figura da Mãe, ao mesmo tempo em que
reflete a condição do feminino e da mulher na sociedade atual.

De Mala às Artes Rua 
Grupo: Cia Circunstância/Belo Horizonte-MG
Gênero: Comédia
Texto: Cia Circunstância e Rodrigo Robleño
Direção: Rodrigo Robleño
Elenco: Dagmar Bedê, Diogo Dias, Evandro Heringer, Luciano Antinarelli e Miguel Safe
Duração: 60 min
Classificação etária: Livre

De Mala às Artes é um espetáculo de palhaços inspirado nas histórias de Pedro Malasartes,
o astuto e justiceiro personagem, conhecido no mundo inteiro por zombar dos poderosos,
dos muquiranas e dos presunçosos. Suas histórias têm origem em contos populares da
Península Ibérica e ganharam o mundo. Um espetáculo inspirado matreiramente em pessoas e
artistas que escreveram, poetizaram, cantaram, contaram, aumentaram um ponto, filmaram, e
divulgaram a vida ou as muitas vidas de Pedro Malasartes.

De nós dois.só 
Grupo: Quik Cia de Dança /Nova Lima – MG
Gênero: Dança/Teatro
Direção, concepção e elenco: Rodrigo Quik e Leticia Carneiro
Trilha Sonora: Rodrigo Salvador
Duração: 50 min
Classificação etária: 14 anos

O processo criativo do espetáculo partiu do encontro do casal de bailarinos, com as
lembranças e memórias da trajetória de cada um e do caminho que percorreram juntos ao
longo da carreira e vida. De nós dois. Só se dá no campo da improvisação em dança e aborda os afetos, fragilidades, tensões, simbioses, permanências e solidão da dupla. Novos
olhares, entendimentos e possibilidades são construídas numa dramaturgia do relacionamento.

…E PEÇA QUE NOS PERDOE 
Fernando Barcellos e Lira Ribas/Belo Horizonte – MG
Gênero: Drama
Texto: Éder Rodrigues
Direção: Lira Ribas
Elenco: Fernando Barcellos, Guilherme Carvalho, Igor Odier, Lira Ribas, Luciana Brandão, Rafael
Blaytner
Duração: 80 min
Classificação etária: 16 anos

Numa atmosfera onde é sempre noite, uma tradicional família se esforça para comemorar o
aniversário da filha caçula em meio a fatos estranhos, desejos dormentes e acontecimentos
inusitados, onde não é possível definir o que é realidade ou delírio, nascimento ou morte, festa
ou enterro. Seja bem vindo a uma casa onde nada é o que parece ser. Não precisa bater. Entre
e siga os rastros de luz. No escuro ninguém está sozinho. O espetáculo mistura elementos da
dança-teatro com uma estética com influências expressionistas.

Fábrica de Nuvens 
Grupo: TAZ/Belo Horizonte-MG
Gênero: Comédia dramática
Texto e direção: Daniel Toledo
Elenco: Alexandre de Sena, Bianca Fernandes, Daniel Toledo, Glaucia Vandeveld e Marcelo Castro
Duração: 45 minutos Classificação etária: Livre

Fábrica de Nuvens apresenta ao público a rotina de Albert, Janet, Margaret e Donald,
quatro funcionários de uma bem-intencionada ONG internacional. Em meio a condições nem
sempre favoráveis, eles realizam conferências voltadas ao recrutamento de colaboradores para
a principal ação do projeto: o envio de grandes embarcações tripuladas para os dois polos do
planeta. Mas se os corpos estão ali, amarrados a cadeiras, fios e funções, as cabeças parecem
estar em outro lugar.

GET OUT! 
Grupo: Quatroloscinco – Teatro do Comum/BH-MG
Gênero: Drama cômico
Texto, direção e elenco: Assis Benevenuto
Duração: 50 min
Classificação etária: 12 anos

GET OUT! aborda a capacidade e a necessidade de nos envolvermos em uma ficção, imagens
criadas pelos outros e por nós mesmos. Conta a história de um homem que não consegue
embarcar no seu voo por que tem medo do avião cair. E para provar que esse pânico tem
fundamento, ele encena diversas situações e histórias. O monólogo faz uma crítica às imagens
pré-construídas tão comuns que ditam nossos comportamentos e pensamentos em sociedade.

Isso é para Dor 
Grupo: Primeira Campainha/Belo Horizonte – MG
Gênero: Teatro do Absurdo
Texto: Byron O´Neill
Direção: Byron O´Neill Elenco: Mariana Blanco, Marina Arthuzzi e Marina Viana
Duração: 50 min
Classificação etária: 10 anos

Três mulheres estão escondidas em um lugar onde gritar é proibido. Ouve-se um grande
estrondo. Sons de explosão. Enquanto o mundo desmorona, Benjamim Amapola, Shyrley
Ballantine’s, mais conhecida como Mary, e Vonda Yeva Pavlova decidem começar o ensaio sem
Margareth, que dorme há mais de uma semana, o que causa inveja. Inspirado no livro O Diário
de Anne Frank, Isso é para Dor é recheado de humor sarcástico e segue a linha do teatro do
absurdo inaugurada por Samuel Beckett e Eugène Ionesco, entre outros, para contar uma
história sobre privação de liberdade.

Klássico (com k) 
Grupo: Mayombe Grupo de Teatro/Belo Horizonte – MG
Gênero: Drama
Texto: Didi Villela, Éder Rodrigues, Fernando Oliveira, Flávia Almeida e Marina Viana
Direção: Sara Rojo
Elenco: Didi Villela, Fernando Oliveira, Flávia Almeida, Marina Arthuzzi e Marina Viana
Duração: 70 min
Classificação etária: 14 anos

O espetáculo Klássico (com K) apresenta a trajetória cênica e os conflitos centrais dos
personagens Medeia, Antígona, Ulisses e Fausto, em diálogo com a subjetividade dos atores.
Colocados em um jogo, o caminho de cada um deles é controlado por um juiz. Na arena-show
instaurada em cena, os atores se lançam na arriscada jogada de voltar aos textos clássicos e ao
mesmo tempo transitar por questões contemporâneas, políticas, estéticas e filosóficas.

O Caboclo Zé Vigia 
Grupo: Tirana Cia de Teatro/Belo Horizonte – MG
Gênero: Comédia
Texto: Adaptação do cordel O Caboclo Zé Vigia: Raça de Bicho do Mato, de José da Costa Leite
Direção: Tirana Cia de Teatro com orientação de Fernando Limoeiro Elenco: Anair Patrícia, Daniela Rosa, Jonas Filho, Juliene Lellis, Kely de Oliveira, Luciana Araújo
Duração: 40min
Classificação etária: Livre

Na rudeza do sertão, dois caboclos de sangue quente disputam o amor de Salomé, a mais linda
das caboclas. Zé do Cangaço, ajudado por Satanás, faz de tudo para roubar o coração dessa
donzela, enquanto Zé Vigia, doido de ciúmes, imagina o que não vê, e lê até o que não sabe
ler!
O Caboclo Zé Vigia narra uma história de casório, engano, pacto, paixão doentia e amor
verdadeiro onde o verso contado e cantado se mistura com música e cena, causando laços e
embaraços feito nó de cordel…

O Líquido Tátil 
Grupo: Espanca!/Belo Horizonte- Minas Gerais
Gênero: Drama
Texto e direção: Daniel Veronese
Elenco: Grace Passô, Gustavo Bones e Marcelo Castro
Duração: 50min
Classificação etária:14 anos

O Líquido Tátil parte da situação de um núcleo familiar, onde se dialoga sobre as artes, o ato
teatral, e os desejos inconscientes que perseguem o homem. No palco um casal formado por
uma atriz decadente e um apaixonado pelo teatro recebe a visita do irmão dele, um ator em
crise. A partir daí surgem embates, conflitos e situações surreais. O trabalho é o resultado do
encontro entre o Espanca! e o diretor e dramaturgo argentino Daniel Veronese.

O Quadro de uma Família 
Grupo: Pigmalião Escultura que Mexe/Belo Horizonte-MG
Gênero: Drama
Texto: Eduardo Felix
Direção: Eduardo Felix e Igor Godinho
Elenco: Aurora Majnoni, Cora Rufino, Mariliz Schrickte, Mauro de Carvalho e Sara Pinheiro.
Duração: 15 min
Classificação etária: 16 anos.

Confiantes no fato de ser uma família, os componentes do quadro posam automaticamente
eternizados. Aos poucos, assumem a aparência e a essência de animais. Quadro de uma
Família, cena curta com atores, manipuladores e bonecos em proporções humanas, é
resultado de pesquisa sobre a tela de Goya, A família de Carlos IV, e sobre o livro de Michel
Foucault, A história da Loucura.

Órbita 
Companhia Suspensa/Belo Horizonte – MG
Gênero: Dança Contemporânea
Direção: Eid Ribeiro, Lourenço Martins Marques, Patricia Manata e Tuca Pinheiro
Elenco: Patricia Manata e Lourenço Marques
Duração: 40 min
Classificação etária: 12 anos

Órbita dá continuidade à pesquisa de dança vertical da Companhia Suspensa. Os bailarinos
trabalham com o deslocamento do corpo a partir do seu acoplamento a mecanismos e
objetos. Dividido, entrecortado, tensionado e por vezes rompido, o espaço é atravessado por
um plano vertical de quatro metros de comprimento por dois metros de altura. Amarradas a
duas cordas que as prendem ao teto, duas pessoas tentam conviver nessas condições.
Acordos, desacordos, embates, confrontos, dificuldades e desvios se configuram e compõem
essa atmosfera árida.

Para Se Tá Mal, ensaio de uma manifestação para poder poder
Grupo: Cóccix Companhia Teatral/Belo Horizonte – MG
Gênero: Teatro político e comédia
Texto: Sinara Teles.
Direção: Rogério Gomes e Gil Ramos
Elenco: Angelo Dias, Rogério Gomes e Sinara Teles
Duração: 1h
Classificação etária: Livre

Para Se Tá Mal é um manifesto político que propõe uma crítica sarcástica e bem-humorada
da saúde pública. Com música ao vivo, composições próprias e uma dramaturgia fragmentada,
é contada a história da velha Sra. Educação que sofre um acidente de trânsito e é induzida ao
coma. Por consequência, surge a “síndrome da ignoransia”, que contamina a todos. Com a
promessa de uma vacina para a cura, é criado o SUSP – Sistema Único de Saúde Privado.

Pereiras = Festival de Idéias Brutas ep. 01 + Açougue dos Pereiras 
Grupo: Pereira e Pereira Animações de Eventos.
B Horizonte – São Paulo/Minas Gerais – São Paulo
Gênero: Transitório
Texto: Marina Viana
Direção: Marina Viana e Rodrigo Fidelis
Elenco: Marina Viana e Rodrigo Fidelis
Duração: 40 minutos
Classificação etária: 16 anos

Pereiras é a junção de solos independentes (Açougue dos Pereiras e Festival de Ideias Brutas
ep. 01), que marca o reencontro de dois artistas que tiveram suas formações em Belo
Horizonte. A comunhão dos solos apresenta o personagem masculino como um ator cínico do
século passado que se vê forçado a deixar a capital rumo ao interior do país. E ela, como uma
dama indigna das alterosas, que perde a pose nos primeiros 15 minutos sem sair do lugar.

S/ título, óleo sobre tela 
Grupo: Cia do Chá/Belo Horizonte – MG

Gênero: Comédia
Texto: Sara Pinheiro
Direção: Gustavo Bones e Mariana Maioline
Elenco: Cristiane Andrade, Jésus Lataliza, Sara Pinheiro e Vinícius Souza
Duração: 50 min
Classificação etária: Livre

Quatro representantes políticos e uma secretária devem se reunir para a decisão sobre o
impasse do quadro oficial da Independência. Há rumores de que o quadro, que ocupa há mais
de um século o palácio do governo, é falso.
O que fazer com o quadro? A partir desse mote, desdobram-se questões sobre: veracidade
histórica, o documental em contraponto à memória, e relações de poder entre grupos sociais
e indivíduos. O texto, inédito, aposta no bom humor e na ironia.

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30/04/2014 TAGS: Belo Horizonte, Enrique Diaz, FITBH BY: Luciana Romagnolli
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FIT 2014 atrasa início da venda de ingressos

FIT 2014 atrasa início da venda de ingressos

por Soraya Belusi ::

generik

Foto de Jamais 203, do Generik Vapeur (Lady Tak Tak/Divulgação)

O início da venda de ingressos para a edição deste ano do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua de Belo Horizonte (FIT-BH), programada para acontecer nesta segunda-feira, foi adiada. Após diversas ligações para a assessoria de imprensa da FMC, sem respostas, a reportagem procurou diretamente o coordenador geral do evento, Cássio Pinheiro, que, num primeiro momento, disse não saber os motivos que impediram que as vendas começassem, já que, segundo ele, “a bilheteria estava pronta”.

Questionada sobre as razões de não ter realizado o início das vendas, a coordenação do FIT, através de informações fornecidas pela assessora de imprensa  Berenice Martins, afirmou que “a logística da venda de ingressos está realmente atrasada. Estamos destinando 30% para as escolas públicas e de teatro e essa conversa com a secretaria municipal de educação atrasou demais”. Segundo ela, o feriado de Semana Santa e outras questões que dificultaram o acordo entre os dois órgãos municipais teriam interferido no prazo estabelecido pela própria organização.

Embora a FMC só vá se posicionar oficialmente amanhã sobre novas datas e horários, o Horizonte da Cena apurou que as vendas online devem começar no dia 30 de abril, nesta quarta-feira, e a venda presencial, no Posto da Belotur (Mercado das Flores), acontece a partir do dia 3 de maio, apenas três dias antes do início desta edição, que vai de 6 a 25 de maio.

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28/04/2014 TAGS: Belo Horizonte, FITBH BY: Luciana Romagnolli
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FITBH 2014 traz Berliner Ensemble e Generik Vapeur

FITBH 2014 traz Berliner Ensemble e Generik Vapeur

por Soraya Belusi ::

O discurso é de grandiosidade. Para anunciar a edição comemorativa dos 20 anos do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua de Belo Horizonte, a diretoria da Fundação Municipal de Cultura e os curadores do evento reuniram a imprensa na manhã de hoje para divulgar a programação de espetáculos. O que se ressaltou é o desejo de ser o maior FIT que a cidade já viu. Para tanto, ampliou-se a duração, que agora será de 20 dias, e o número de atrações na grade, que soma mais de 50 peças. Já confirmadas, são 17 atrações internacionais, 13 nacionais e 25 locais (veja lista dos espetáculos no fim do texto).

Os ingressos custarão R$ 20 (inteira) e começam a ser vendidos no próximo dia 28 de abril, pela internet e também no posto da Belotur, da rua da Bahia. Não haverá venda de pacotes. A tradicional abertura na rua não acontecerá nesta edição, que se inicia em 6 de maio e vai até o dia 25 do mesmo mês. Caberá à Cia Luna Lunera e seu “Prazer” abrir o evento, assim como inaugurar o Teatro Francisco Nunes, que finalmente será entregue para ocupação dos grupos da cidade após a realização do FIT-BH — assim como o Teatro Marília, que também passa por processo de reforma. Para encerrar a programação, o Galpão apresentará “Os Gigantes da Montanha”.

Os curadores – Jefferson da Fonseca, Geraldo Peninha e Leri Faria, este de atividades especiais – ressaltaram o foco no critério da coexistência, menos pautados nas relevâncias estéticas ou experimentais dos espetáculos, que de alguma maneira pautavam as escolhas curatoriais anteriores, em prol de trabalhos que “dialogassem com o cidadão e não apenas com os iniciados”, justifica da Fonseca. Neste sentido, buscou-se valorizar trabalhos que refletissem a realidade dos seus países de origem, “o momento que o teatro estava naquele lugar que visitamos”, explica Peninha.

Imagem de “Hamlet”, que o Berliner Ensemble traz ao FIT-BH 2014 (Foto Berliner Ensemble/divulgação FIT-BH)

Já se destacam na programação as vindas dos franceses da trupe Generik Vapeur, que fizeram tremer a capital mineira nas duas vezes anteriores que estiveram por aqui, em 1994 e 1997, e os alemães do Berliner Ensemble. O grupo fundado por Bertolt Brecht, e que segue ativo na Alemanha, traz a BH sua versão de “Hamlet”. Aliás, alemães, ao lado de franceses, encabeçam a programação internacional, já que neste ano se realiza o Ano da Alemanha no Brasil e, através de parcerias com a prefeitura de Berlim, mais duas companhias do país desembarcam por aqui com os espetáculos “I Call My Brothers” e “The so-called outside means nothing to me” – há ainda mais um espetáculo que pode entrar na programação, mas ainda não está confirmado. Da França, serão apresentados ainda “Augenblick Dream” e “Fragmento 3 – Aproximacion a la ideia de desconfianza”.

Outros trabalhos internacionais já chegam com algumas boas referências: é o caso do português “1325”, uma das surpresas positivas da Mostra Fringe do Festival de Curitiba no ano passado, “Materia Prima”, da Cia. La Tristura, da Espanha, com boa repercussão em outros festivais pelo Brasil, e “Emilia”, trabalho do Timbre4, grupo argentino que também já é conhecido do espectador belo-horizontino de edições passadas do evento. Além destes, completam a programação trabalhos de Cuba, Austrália, Portugal e Suíça.

Questionáveis, no entanto, são as inclusões de “Memórias em Tempos Líquidos” e “La Cena” como produções internacionais, independentemente de onde vêm os recursos para sua realização. No primeiro caso, trata-se de um trabalho eminentemente local, embora tenha em seu elenco a uruguaia Jimena Castiglioni, já totalmente incorporada à cena mineira, inclusive trabalhando diretamente com o Grupo Galpão. Além disso, o espetáculo cumpriu temporada no ano passado na cidade e tem toda a sua equipe composta por artistas de Belo Horizonte. Assim, ser apresentado como uma coprodução internacional soa um tanto demais. Caso similar o de “La Cena”, com texto, direção e atuação de Anita Mosca, embora italiana, radicada por essas bandas há bom tempo.

Em âmbito nacional, circularam por outros festivais “Cine Monstro”, de Enrique Diaz, que realiza notável trabalho de ator, e “O Homem Travesseiro”, este, embora com elenco também de grande qualidade, teve menos repercussão por onde circulou. Também relevante é a trajetória do Teatro Popular União e Olho Vivo, de São Paulo, que traz a BH “A Cobra Vai Fumar – Uma Estória da FEB”, que será apresentado na rua, assim como “A Pereira da Tia Miséria”, do interior do Paraná, um dos destaques do Fringe deste ano. Também com trajetória reconhecida, embora um tanto irregular, vem à cidade Os Satyros, com o espetáculo “Adormecidos”. As outras atrações surpreendem por não se restringirem aos grupos já reconhecidos nacionalmente, o que pode trazer grandes surpresas – agradáveis ou não. De qualquer maneira, é uma oportunidade de se conhecer trabalhos de coletivos de Santa Catarina, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro.

A grande aposta desta edição parece ser a internacionalização dos trabalhos locais. Isso, segundo a equipe do evento, justificaria o grande número de atrações da capital na grade de programação. Para alcançar esse objetivo, serão convidados programadores do Brasil e de outros países para conferir as apresentações dos grupos mineiros, que estarão concentradas na primeira metade do FIT. Confirmados até agora estão os programadores do Núcleo de Festivais (que já circulam normalmente pelos eventos que integram o núcleo), além de curadores de festivais na França, Alemanha, Espanha, Portugal e Argentina. Outro ponto destacado pelos curadores é a programação voltada para o público infanto-juvenil, que terá sete espetáculos.

“O Líquido Tátil”, do Espanca!, é um dos espetáculos locais na programação (Foto de Guto Muniz)

Os problemas relativos aos pagamentos ainda não efetuados da edição de 2012 do evento tomaram grande parte da coletiva. Afinal, às vésperas de uma nova edição, grande parte dos fornecedores ainda não recebeu o valor relativo aos trabalhos prestados anteriormente. Segundo o presidente da FMC, Leônidas Oliveira, a dívida está sendo avaliada pela auditoria da Prefeitura e, assim que autorizado, o pagamento será realizado. Porém, não há previsão para que esse imbróglio seja resolvido antes do início desta edição. Questionado se o mesmo atraso poderia acontecer nesta edição, o gestor da Fundação afirmou que tudo está sendo feito dentro do orçamento, que já atingiu R$ 7 milhões, sendo R$ 6 milhões de investimento direto e R$ 1 milhão em parcerias.

Optou-se ainda por descentralizar as ações formativas, que acontecerão fora da região Centro-Sul em parceria com grupos (amadores e profissionais) das regionais da capital. Porém, maiores detalhes sobre cada atividade não foram divulgados. Ainda não há também um posicionamento sobre o Ponto de Encontro, que costumava ser realizado no parque municipal. Segundo informações do coordenador do FIT, Cássio Pinheiro, ainda estão sendo avaliadas possibilidades para que aconteça em outro lugar e com outro formato.

LISTA DE ESPETÁCULOS DO FIT-BH 2014

INTERNACIONAIS:

“1325” – Peripécia Teatro (Portugal)

“Augenblick Dream” – Eolie Songe (França)

“Emilia” – Timbre4 (Argentina)

“The so-called outside means nothing to me” – Maxim Gorki Theater Berlin (Alemanha)

“Fíchenla si pueden”  – de Carlos Celdrán (Cuba)

“Frag#3 Aproximacion a la idea de desconfianza” – Evelyn B. / PitouStrash Company (França)

“Glory Box” – Finucane & Smith (Austrália)

“Hamlet” – Berliner Ensemble (Alemanha)

“I call my brothers” – Ballhaus Naunynstraße Berlin (Alemanha)

“Jamais 203” – Generick Vapeur (França)

“Kalabazi” – Tita8lou (Suiça)

“La Cena” – Anita Mosca (Itália)

“Matéria Prima” – La Tristura (Espanha)

“Memórias em Tempos Líquidos” – Dormentes (Brasil-Uruguai)

“Orsini Marionetes” – Orsini (Argentina)

“Rapsodia para el mulo” – El Ciervo Encantado (Cuba)

“Concertos para Bebês” – Musicalmente (Portugal)

 

NACIONAIS:

“A Cobra vai fumar – Uma Estória da FEB” – Teatro Popular União e Olho Vivo (SP)

“À Distância: Lado A / Lado B” – Dearaque Cia. de Teatro (SC)

“A Pereira da Tia Miséria” – Núcleo Ás de Paus (Londrina – PR)

“Adormecidos” – Os Satyros (SP)

“As Raízes do Mineiro Pau e do Boi Pintadinho” – Cia Folclórica Boi de Miracema (RJ)

“Café?” – Cia. Efêmera (SP)

“Cine Monstro” – Enrique Diaz (RJ)

“Duas Mulheres em Preto e Branco” – Remo Produções Artísticas (PE)

“O Homem Travesseiro” – Cia Teatro Esplendor (RJ)

“Sabiás do Sertão” – Cia Cênica (São José do Rio Preto – SP)

“Era uma vez… Grimm” (versões infantil e adulto) – Belazarte Realizações Artísticas (RJ)

“Salada Mista” – Cia. 2 em Cena de Teatro, Circo e Dança (PE)

 

LOCAIS CONVIDADOS:

“De Banda para a Lua” – Armatrux

“John & Joe” – Grupo Trama (Contagem)

“Oratório, a saga de Dom Quixote” – Cia Burlantins (BH)

“Os Gigantes da Montanha” – Grupo Galpão (BH)

“Por Pouco” – Cangaral Produções Artísticas (BH)

“Prazer” – Cia Luna Lunera (BH)

 

LOCAIS SELECIONADOS:

“A noite devora seus filhos” – Paisagens Poéticas (BH)

“Acontecimento em Vila Feliz” – Cia. Pierrot Lunar (BH)

“Aldebaran” – Grupo Oficcina Multimédia (BH)

“As Rosas do Jardim de Zula” – Zula Cia. de Teatro (BH)

“De Mala às Artes” – Cia Circunstância (BH)

“De nós dois.só” – Quik Cia de Dança (Nova Lima)

“… e peça que nos perdoe” – Fernando Barcellos e Lira Ribas (BH)

“Fábrica de Nuvens” – TAZ (BH)

“Get Out” – quatroloscinco (BH)

“Isso é para dor” – Primeira Campainha (BH)

“Klássico (com K)” – Mayombe Grupo de Teatro (BH)

“O Caboclo Zé Vigia” – Tirana Cia. de Teatro (BH)

“O Líquido Tátil” – Grupo Espanca! (BH)

“O Quadro de uma Família” – Pigmaleão Escultura que Mexe (BH)

“Órbita” – Cia Suspensa (BH)

“Para Se Tá Mal, ensaio de uma manifestação para poder poder” – Cóccix Cia. Teatral (BH)

“Pereiras = Festival de Idéias Brutas ep. 01 + Açougue dos Pereiras” – Marina Viana e Rodrigo Fidélis (BH)

“S/ título, óleo sobre tela” – Cia do Chá (BH)

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28/04/2014 TAGS: Belo Horizonte, festival, FITBH BY: Luciana Romagnolli
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A manipulação da verdade e a instabilidade do sentir

A manipulação da verdade e a instabilidade do sentir
por Soraya Belusi ::
Mãe. Pai. Namorado. Melhor amiga. Traços culturalmente reconhecidos, cujas noções compartilhadas acerca dos laços afetivos que os une atingem certo consenso, ainda que em um plano idealizado do que deveriam ser essas relações quase arquetípicas e o grau de verdade estabelecida nelas. Há ainda um carteiro, aquele que, invisível, ronda a intimidade dos lares. Mas a verdade, normalmente tão certa e inabalável, alerta a Cia. Senhas em seu “Obscura fuga da menina apertando sobre o peito um lenço de renda”, é facilmente manipulável sob os olhos do outro e de nós mesmos, dependendo dos pontos de vista pelos quais esta se constrói.

Luiz Bertazzo e Greice Barros trabalham com estados emocionais limítrofes (Fotos de Emi Hoshi – Clix Divulgação)
Em linhas gerais, “Obscura fuga da menina…”, espetáculo apresentado no Festival de Curitiba, expõe a busca de explicação dos personagens para o desaparecimento da jovem Martina. As recordações e acusações entre pai e mãe diante de tal fato trazem à tona questionamentos sobre a maneira como enxergavam a relação com sua filha. As dúvidas acerca das motivações da fuga da menina ganham ainda mais potência com a chegada do namorado e da melhor amiga da jovem. As convicções que todos esses personagens tinham acerca dos afetos que os unia à Martina é relativizada a partir de então.

A Cia. Senhas potencializa o jogo de instabilização da realidade já presente na construção textual do diretor e dramaturgo Daniel Veronese, fazendo evidenciar, como já acontecia de certa maneira em “Circo Negro”, o que Freud categorizou como relativo ao sinistro, “o assustador que remete ao que é conhecido, de velho, e há muito familiar”, justamente para desestabilizar o senso comum. Em sua construção, o espetáculo elabora uma série de procedimentos que possibilitam ao espectador ter sua fruição impregnada por impressões sinistras. Esses elementos já estão em Veronese – como a sensação de que algo está oculto na narrativa e que imaginação e realidade não são distinguíveis – e ganham ainda mais potência na elaboração da companhia curitibana.

A ideia de dominação presente em “Circo Negro” aparece aqui reelaborada sob a égide da manipulação das certezas, em que os dados apresentados são posteriormente questionados, em que os papeis são embaralhados e indefinidos, em que os sentimentos se reconfiguram permanentemente, em que as lembranças assumem facetas diversas de acordo com a necessidade, em que se é possível mentir para salvar aquilo que nos acalenta enquanto verdade.


A atuação, principalmente no registro que Greice Barros e Luiz Bertazzo atingem nos papéis de pai-mãe, é construída a partir de estados emocionais contraditórios e simultâneos, friccionados entre a contenção e o transbordamento, como se seus corpos pudessem ser divididos em dois:  uma metade que se protege, cujos gestos são extremamente comedidos, e outra que não é mais capaz de reter a emoção que insiste em vazar pelos olhos, como se algo que quisessem esconder escapasse mesmo que contra a vontade. Estados emocionais levados ao limite, mantidos à beira do insuportável e prestes a serem detonados.

Os arquétipos de pai e mãe, consequentemente de figura materna e paterna, cujas noções culturais são amplamente demarcadas ainda nos dias de hoje, aparecem problematizados já na caracterização dos personagens, seres marcados pela androginia ou travestimento, cuja face feminina recebe traços masculinos e vice-versa, misturando essas noções de gênero e função familiar e afetiva.  Não é apenas o figurino que provoca esse embaralhamento dos papéis. Ele está também, entre outros sinais, na fala generosa e abdicadora do pai em contraponto à paixão quase edipiana da mãe pela filha, no rigor que a figura feminina traz para si em contraponto à flexibilidade presente na construção da presença masculina.
O espaço também é relativizado e instabilizado o tempo inteiro. Não há uma separação entre o que está dentro e o que está fora – tanto do espaço da cena teatral em si quanto do espaço da ficção. A presença de um pequeno número de espectadores no centro do espaço de representação entrelaça os mundos da vida real (do espectador) e da ficcional (dos personagens), percepção que se acentua com procedimentos dramatúrgicos simples, mas de efeitos potentes, como a aproximação da personagem defendida pela atriz Ciliane Vendruscolo do público com o questionamento “alguém sabe o que está se passando nessa casa?”.
Esse jogo entre o que se passa de fato e aquilo que se (quer) vê ganha leituras múltiplas na concepção da cenografia, em que tudo parece se mover, sair do lugar, enquanto aqueles personagens insistem em acreditar que nada pode mudar. A rigidez dos comportamentos contrasta com a ausência das paredes, permitindo que dentro e fora se misturem, que se saia da casa sem com isso tornar-se de fato ausente. Enquanto tudo se desloca, aqueles personagens parecem não sair do ponto em que começaram. Como se insistissem em não acreditar que a crença que sustentavam não era nada mais que apenas uma possibilidade do real, sempre manipulável e instável.  Como que avisa: “ninguém mais pode estar seguro de nada”.

O Horizonte da Cena viajou a convite do festival.

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04/04/2014 TAGS: CiaSenhas de Teatro, Curitiba, Daniel Veronese, festival, Festival de Curitiba, Fringe BY: Luciana Romagnolli
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A construção ou a dissolução da dúvida

A construção ou a dissolução da dúvida

por Soraya Belusi ::

sonata 3

Cristina Banegas e María Onetto vivem mãe e filha em “Sonata de Otoño” (Fotos de Humberto Araujo- Clix Divulgação)

A comparação não nasce à priori. É a relação que a própria obra, ao se colocar diante dos olhos do espectador, estabelece com sua fonte original que nos remete àquela experiência inaugural, criando parâmetros comparativos para o bem ou para o mal, considerando que uma outra “versão” ou “visão” pode sempre nascer quando um mesmo material cai em novas mãos. Não digo aqui de atender ou não a expectativas, embora estas me pareçam até certo ponto inevitáveis. O que pretendo é admitir, desde esse ponto, que as percepções a serem escritas estão sim impregnadas da primeira sensação que tive, como espectadora, da experiência de fruição dos filmes “Sonata de Outono”, de Ingmar Bergman, e “Bug”, de William Friedkin, que ganharam  materialização nos palcos assinadas, respectivamente, por Daniel Veronese e Zé Henrique de Paula, apresentadas no Festival de Curitiba.

Não se trata aqui de comparar os filmes e as peças apenas como uma transposição de uma linguagem para a outra. Seria minimizar todas as implicações de criação que se instauram nesse procedimento. Mas, sim, de tentar perceber, através das escolhas artísticas dos espetáculos, de que maneira se aproximam ou se afastam do fator mobilizador de suas fontes originais, se ampliam suas leituras ou minimizam seu poder de impacto. A versão de Daniel Veronese para o reencontro entre mãe e filha, em que os rancores e amores se escancaram, parece não perder de vista, em momento algum, os elementos construídos pelo cineasta sueco. Ainda assim, o encenador e dramaturgo argentino consegue impregnar de incerteza as convicções daquelas personagens.

A frieza nórdica presente na obra cinematográfica transborda para a cena criada por Veronese seja pela palidez dos elementos que a compõem, com os móveis todos brancos, sem vida e diferenciação, seja pelo acúmulo de espaços em um mesmo plano, em que quarto, cozinha e sala estão todos lado a lado. Há algo de não-espetacular na opção de Veronese. O teatral, termo tão empregado no cinema de Bergman, não está em Veronese sobressaltado, a não ser nos corpos, nas falas e nos estados dos atores, característica que marca também a obra do sueco. A luz é estourada, branca, sem nuances, e as mudanças temporais e espaciais se dão pelos cortes no texto mais que pela ação dos personagens.

Esse procedimento teatral de Veronese parece sublinhar a construção psicológica do conflito entre mãe e filha, que não se viam há mais de 7 anos e cujo reencontro faz explodir uma série de questões reprimidas, silenciadas, amargadas. É como se neutralizasse o que é externo aos personagens-atores, opacizando o espaço, para lançar o foco sobre o que se passa no interior daquelas mentes e corpos. Nem mesmo a legenda em português, insistindo em adiantar os pensamentos e os diálogos, retira a força emocional que se estabelece das relações em cena.

Se associamos uma certa contenção aos comportamentos nórdicos e à direção de Bergman no que diz respeito à atuação, que mais esconde do que revela, é inegável que também remetemos à latinidade uma tendência ao extravaso, ao exagero e ao melodramático. Mas Veronese se afasta do sentimental ao optar pela carga emocional.

Os corpos de seus personagens revelam mais que escondem, parecem não ser mais capazes de se conter, como na obra cinematográfica. E as emoções surgem, assim, desmedidas, confusas, permeadas uma das outras, retirando as certezas que nós, espectadores, já tínhamos sobre a culpa e a absolvição daquelas personagens. Não é tão fácil mais distinguir quem é vítima ou quem é culpado. Instala-se a dúvida, a crise, a incerteza. “Sonata de Outono” nos apresenta, assim, novas camadas de percepção de algo que já conhecemos, sem com isso abandonar as potencialidades de sua referência anterior.

É de incerteza, inclusive, que se trata a obra cinematográfica de William Friedkin cuja matriz é a peça de Tracy Letts, “Bug”, que dá origem também à montagem do Núcleo Experimental, sob direção de Zé Henrique de Paula. Assim como Bergman não abandona seus protagonistas em sua Sonata, Friedkin leva às últimas consequências, com sua câmera, a construção artística da sensação de obsessão e paranoia que domina seus personagens. Uma espécie de fobia contagiosa, que passa através das telas para quem a compartilha, assim como contamina a mente de Agnes em sua convivência com Peter. Ambos encontram no outro a possibilidade de suprir suas demandas de medo. A relação amorosa aqui é que desencadeia essa aproximação paranoica, que se retroalimenta ao longo do tempo.

Cabe ao espectador duvidar do que vê, do que ouve, mas também do que entende como normal. Aos poucos, este é também desestabilizado de sua convicção sobre a paranoia alheia, é também ele “possuído” (tradução dada ao título do filme no Brasil) pela dúvida. Há algo realmente acontecendo ali? Sem esse questionamento interno, também paranoico, a potência da obra parece não se efetivar, como acontece na montagem teatral apresentada no festival.

Foto de Jorge Mariano – Clix divulgação

E, numa primeira percepção, as escolhas de encenação parecem não favorecer o contágio que Tracy Letts permite com seu texto. O conflito psicológico cede lugar à comicidade daquela situação, que, absurda por princípio, resvala no risível quando se abre mão totalmente de torná-la crível. A paranoia ganha contornos (luzes, números musicais, registros de atuação excessivamente estranhados) de mera alucinação, o que a desqualifica à priori. Alguns efeitos visuais só reforçam essa percepção, como as marcas exageradas pelo corpo que parecem ser feitas de canetinha ou ainda as luzinhas que piscam na tentativa de demonstrar a infestação. Parece não haver aqui espaço para o questionamento da lucidez ou loucura dos personagens, nem mesmo do público, para o qual é negado o direito de duvidar, inclusive, de si mesmo.

O Horizonte da Cena viajou a convite do festival. 

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03/04/2014 TAGS: Argentina, Daniel Veronese, Festival de Curitiba, São Paulo, Tracy Letts BY: Luciana Romagnolli
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Cia. dos Atores aborda a moda e o “ser” contemporâneo

Cia. dos Atores aborda a moda e o “ser” contemporâneo

por Luciana Romagnolli ::

olinto

O ator Marcelo Olinto em cena de “Como estou hoje?”, escrito e dirigido por João Saldanha.

Cesar Augusto, diretor de LaborAtorial, o ator Marcelo Olinto e o dramaturgo e diretor João Saldanha, de Como estou hoje?, falam dos espetáculos trazidos ao Festival de Curitiba pela Cia. dos Atores e da nova fase do coletivo carioca depois da saída do diretor Enrique Diaz.

De que maneira as questões da moda se relacionam à condição do ator em Como estou hoje?

João Saldanha: A moda como manifestação e conduta está próxima de toda e qualquer expressão artística e comportamental. Acredito que pela disposição de viver  múltiplas identidades em períodos distintos da existência humana, o ator se veste e se despe com a mesma fluência que nós seres comuns trocamos de  roupa, nas mais diversas ocasiões, condizendo ou não com o ambiente, dependendo, é claro, do que caracteriza sua personalidade para o desempenho de sua personagem.

Marcelo Olinto:  No caso de Como estou hoje, se dá pelo meu gosto particular por moda, afinal, trabalho também como figurinista. E a simbiose entre o ator, o seu corpo e a roupa que o envolve já desperta múltiplas possibilidades.

A dramaturgia de Como estou hoje? se baseia em alguma pesquisa específica?

João Saldanha: A dramaturgia foi erguida pelo encontro com o ator Marcelo Olinto e suas afinidades com o mundo da moda a partir da vivência e de seus interesses pessoais. Suas opiniões sobre o texto determinaram todo o ritmo das ações e me influenciaram no olhar para a vida naquele momento, em especial. Os meses de junho e julho de 2013 no Rio de Janeiro foram marcados pelas ações e condutas da população que reivindica por uma melhor qualidade de vida. Então, posso dizer que o trabalho está cercado de indignação e posturas que admiramos e repudiamos no ser humano. É isso, a pesquisa decorreu dos fatos que estavam acontecendo naquele momento, e que para nós, artistas, são de um valor desmedido.

Marcelo Olinto: O que aconteceu foi a junção de forças em torno de um trabalho colaborativo. Por acompanhar a trajetória profissional do João, me vi várias vezes tomado e inspirado por seus projetos e por conta disso desejava partilhar com ele uma criação. Então, a partir dos nossos desejos, foi desenvolvido um texto escrito especialmente para o trabalho pelo próprio João, que nunca havia escrito para teatro antes.

Como pensa o lugar do espectador e a relação de convívio que se estabelece com ele?

João Saldanha: O espectador é sempre atravessado por imagens e palavras que importam e significam, suas reações são as mais diversas, isso quando ele está atento para essa experiência viva que é o teatro. Nesse lugar de encontro tudo é possível quando ele se permite entrar, quando está disposto, então nós do lado de cá estamos sempre querendo surpreender para acionarmos essa disposição no outro, pensamos nas mais diversas possibilidades, nos ritmos, nas ações, na entonação e claro, no sentido desse fazer teatral que é capaz de modificar vidas e condutas. O que é negociado é justamente a partilha de um momento único, onde somos todos estimulados a uma outra ideia de temporalidade, um lugar de afecções.

Marcelo Olinto: O espectador é convidado a participar de uma experiência visual, corporal e verbal. Quanto mais próximo for este convívio, mais interessante o trabalho ficará.

 

LaborAtorial tem texto de Diogo Liberano, direção de César Augusto e Simon Will e atuação de Marcelo Valle.

A sinopse de LaborAtorial fala que o texto traz uma “renovação do olhar sobre o real” e sobre mudanças de paradigma que influenciaram o homem contemporâneo. Poderia explicar melhor quais seriam essas influências de que o espetáculo trata e como são trabalhadas no espetáculo? É um jogo de construção e desconstrução de espaços/situações/ideias?

César Augusto – Retirando do contexto onde esta frase se insere, isso tudo soa profundamente pretensioso. Mas, vamos lá (risos): Partimos do princípio de que o personagem (neste caso, o próprio ator) ao se colocar em questão, se examina e procura através de procedimentos por ele mesmo construídos respostas para as suas inquietações, sejam elas artísticas, humanas ou políticas. Uma vez tendo a plateia como cúmplice, acreditamos que levantamos possíveis caminhos para situações que são, de certo modo, vivenciada por todos constantemente. No dia a dia, nas escolhas profissionais, no modo com que tratamos o próximo, e por aí vai. Esta possível autopsia ficcional ganha contornos muito pessoais e acredito que esta relação com o indivíduo é ponto nevrálgico para se lidar com o “ser” contemporâneo. Utilizamos e nos inspiramos em artistas que influenciaram muito o trabalho, entre eles William Kentridge, Bruce Nauman e Rafael França, vídeo-artista dos idos anos 70, que mereceu muita atenção durante o processo de construção do nosso trabalho.

Fala-se ainda em uma dramaturgia baseada em traços biográficos – são do ator, do autor do texto ou num jogo entre eles?
César Augusto 
– Este trabalho foi feito a oito mãos, quatro cabeças (com vários colaboradores), e isso fez com que, de certa forma, cada um de nós dentro da criação do espetáculo fosse extensão do outro. Eu dirigi a peça junto com Simon Will, do grupo anglo germânico Gob Squad. Diogo Liberano, dramaturgo, e Marcelo Valle, ator, formaram voz e pensamento em simbiose, um desaguava no outro na forma do fazer e de lidar com as situações. Fizemos esta peça em três etapas para conseguir chegar aos sete procedimentos que compõem o espetáculo. Marcelo se desdobra em mais dois para dar conta das suas possíveis, e por vezes fictícias, polaridades. O jogo, se é que esta palavra dê conta, prefiro “experimento”, se estabelece em cada etapa enfrentada e exposta pelo ator/personagem que, desde o início, é ele mesmo. Tudo está claro desde a chegada do público e, dentro desta possível trajetória, cada momento, cada observador, inclusive o próprio objeto de estudo, o próprio ator, são partes fundamentais para se construir este quebra cabeça.

Quais mudanças mais significativas se pode esperar/sentir na Cia, dos Atores nessa nova fase, sem a figura do Enrique Diaz?Marcelo Olinto: A saída da Drica Moraes e do Enrique Diaz com certeza foi muito sentida. Mas, ao mesmo tempo, nos fez repensar sobre nossa parceria, impulsionando-nos para novos desafios. O resultado disso? A produção de três novos trabalhos com criadores da melhor qualidade e ao mesmo tempo reforçamos os nossos laços artísticos e pessoais. Estamos vivendo, com certeza, um grande momento.

César Augusto – Nosso trabalho desde a formação da Cia. dos Atores sempre foi extremamente colaborativo em cada processo de criação. Assim aprendemos a lidar com o texto, a interpretação, cenário, produção, figurinos e por aí vai. E, exatamente por isso, pouco ou quase nada muda a não ser o prazer de tê-lo junto dentro deste modo de trabalho. Nosso último trabalho juntos já tem muito tempo. Depois, iniciamos uma série de trabalhos individuais aos quais demos o título de Autopeças. Estas “peças” ganharam asas e participaram de várias temporadas, juntas, separadas, em ocupações, como foi o caso do Festival de Curitiba, quando ocupamos o Teatro Paiol. Este já era o prenúncio de que precisávamos mudar, criar outros caminhos. Nos admiramos todos e sabemos que tanto juntos quanto separados somos e seremos referências para nós e para muitas gerações. Construímos um legado, mas não precisamos ser subservientes a ele. Muito pelo contrário… Dentro destas circunstancias, Enrique e Drica (Moraes) resolveram que era hora de cortar o vínculo com a companhia. Isso foi forte, contundente, mas profundamente orgânico.

A partir daí, o destino, as coincidências, a necessidade de estarmos ainda juntos, até mesmo para cumprir as demandas importantes referentes a patrocínio, nos deu condições para dar conta das mazelas das perdas e das desconexões. O resultado foi além do esperado. Comemorando 25 anos de história, criamos três rebentos lindos e que andam com suas próprias pernas: “Conselho de Classe”, uma parceria com Jô Bilac, “Como estou Hoje”, outra parceria com o coreografo João Saldanha, e o “porque” desta entrevista – “LaborAtorial”. Vale citar que a nossa sede, localizada na Lapa, na famosa escadaria de ladrilhos, chamada Escadaria Selaron, agora se chama Sede das Companhias e, até nisso, estamos proliferando. Agora gerida pela Cia. Dezequilibrados, estamos lá dividindo o espaço com eles e a nova, e muito interessante, Cia. Pangeia. Como se percebe temos muito que fazer e, assim, trilhamos a nossa história.

No caso desses três trabalhos da Cia. dos Atores que vêm ao festival, haveria uma preocupação política em comum com o momento socioeconômico do país?
César Augusto – Não, os espetáculos têm independência total nas escolhas, sejam dramatúrgicas, estéticas, políticas. Claro que, como fruto de criações contemporâneas, existem coincidências que reiteram nosso trabalho e afinidades artísticas.

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03/04/2014 TAGS: Cia. dos Atores, Festival de Curitiba, Rio de Janeiro BY: Luciana Romagnolli
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“Spam” leva a vida virtual à saturação

“Spam” leva a vida virtual à saturação

por Luciana Romagnolli ::

Rafael Spregelburd é ator, dramaturgo e diretor de Spam.
Como um contador de histórias da era multimídia, o argentino Rafael Spregelburd põe-se diante do público em Spam para apresentar desordenadamente as peripécias infindas nas quais se envolve o personagem Mario Monti. Como um Ulisses desvairado que foge da máfia chinesa devido a atos que cometeu pela internet, ele narra sua saga tragicômica, que seria épica se não fosse absurda.
Em síntese: Monti responde a um spam, intercepta milhões de dólares de uma interlocutora chinesa, refugia-se na ilha de Malta e perde a memória. Tal história rocambolesca, recheada de desventuras, desdobra-se num quebra-cabeças de duas horas de duração.
Se Monti não é um heroico Ulisses, poderia ser um personagem da franquia Se Beber Não Case: um homem que desperta em um hotel desconhecido usando um smoking que nunca antes viu e procura ao redor pistas sobre quem é e como foi parar ali.
Mais do que uma história permeada por referências da cultura pop e do mundo virtual, contudo, Spam busca se conectar com um tipo de sensibilidade contemporânea muito particular, definida por dispositivos como o Skype, o Pay Pal, o Google Tradutor e o e-mail – transformadores das relações interpessoais e dos modos de percepção a níveis que ainda não somos capazes de calcular precisamente.
Para que essa sensibilidade se estabeleça, é nos lixos virtuais que está a chave – ou seja, no spam. A sensação de esgotamento de um mundo pouco concreto vem do excesso de estímulos despropositados que povoam a esfera cibernética, fazendo dela um simulacro da vida “real” igualmente entulhada de lixo – físico, ideológico, político.
Ao explicar a ideia de “vida líquida”, própria do nosso tempo, o filósofo Zygmut Bauman destaca justamente a indústria de remoção do lixo. “A sobrevivência dessa sociedade e o bem-estar de seus membros dependem da rapidez com que os produtos são enviados aos depósitos de lixo e da velocidade e eficiência da remoção dos detrimentos”, escreve. Não há tempo para consolidar experiências, tudo se torna rapidamente obsoleto e, se não há segurança nos modelos do passado, a condição geral é de incerteza.
Pois é esta sensibilidade líquida própria do momento atual do capitalismo que está em jogo em Spam, vista por um olhar paródico, que capta com cinismo e humor as idiossincrasias da virtualização da experiência humana. Spregelburd se concentra na narrativa porque é da história contada que surgem analogias possíveis com o mundo “real” – por exemplo, a perda de memória do protagonista ecoa todo um povo sem memória.
O olhar do ator, dramaturgo e diretor sobre esse mundo – virtual ou real – identifica, sobretudo, a sua cota de absurdo. Spam desliga-se de qualquer crença em uma suposta sensatez humana. O absurdo surge como forma para o despropósito da vida e para o estranhamento constante com o cotidiano: um olhar que não padroniza o mundo passando por cima de seus atentados à razão. Poderia ser pensado, então, como um antídoto ao anestesiamento dos sentidos pela lógica racionalista. Mas na lógica do absurdo também não se vê possibilidade de ação.
O músico Zypce produz uma variedade de sons cambiantes.
Ao lado do músico Zypce, responsável por criar um espaço sonoro mutante, fundamental para a sensação de se estar fora de um território físico conhecido e por aumentar o grau de absurdo da experiência cênica, Spregelburd atua ao microfone, como um personagem que apresenta a própria vida ao público. Sua ação é praticamente toda verbal.
A despeito da quantidade de vídeos que permitem leituras críticas para além da camada de humor evidente, a verborragia é o principal modo que o diretor encontra para encenar o saturamento da vida contemporânea. Por acreditar talvez excessivamente na força da história e das palavras, contudo, o espetáculo perde justamente seu caráter de imprevisibilidade e de surpresa, que a desordem das cenas e a música de Zypce tentam estabelecer. Torna-se assim, por si mesmo, uma experiência de saturação.
Texto originalmente publicado no jornal Gazeta do Povo.
Espetáculo visto no dia 30 de março de 2014, no Festival de Curitiba.
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01/04/2014 TAGS: Argentina, Festival de Curitiba, Rafael Spregelburd BY: Luciana Romagnolli
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O naufrágio do convívio e o apocalipse do capitalismo por Rafael Spregelburd

O naufrágio do convívio e o apocalipse do capitalismo por Rafael Spregelburd

por Luciana Romagnolli ::

Spam.

Ator, diretor e drama­turgo argentino de projeção internacional, Rafael Spregelburd traz ao Festival de Curitiba um ópera falada apocalíptica, Spam, sobre a virtualidade do mundo atual. Abaixo, ele fala criticamente da apatia social e dos efeitos da crise econômica e política sobre o teatro argentino.

O mundo virtual e o teatral não poderiam ser mais distintos por suas características ontológicas e dinâmicas. O crítico argentino Jorge Dubatti opõe dois conceitos: o convívio (próprio do teatro) e o tecnovívio. Como eles se aproximam em Spam?
Efetivamente, o teatro parece ser a única expressão artística que nunca será virtual. Vimos algumas tentativas de estender a virtualidade ao teatro. Há pouco tempo, Matias Umpierrez montou uma obra muito singular, “Distância”, na qual as atrizes transmitem online a partir de suas casas em Hamburgo, Nova York, Paris e Buenos Aires. Mas o público é real e está reunido em uma mesma sala ao mesmo tempo, e decide de que maneira convivial isso resulta legível, o que é irrelevante e o que é conotado de cada espetáculo. Creio que não se deveria preocupar-se grandemente com o assunto: quanto mais virtual se torna o mundo ao redor, maior é a magia do “efeito de realidade” que proporciona o humilde, mas poderoso, teatro.
Em Spam, a virtualidade é o tema, não necessariamente a forma. Nossa tecnologia é sempre low-fi e parece arrancada de um velho pós-industrial da era de ouro do punk. Os instrumentos musicais de Zypce (ainda que sejam processados à maneira de um DJ em tempo real) são construídos com fragmentos de coisas, motores, cordas, ferramentas que parecem resgatadas de algum tipo de naufrágio. É provável que estejamos querendo narrar o naufrágio do “homo-convivius”, o apocalipse do real. Mas, na realidade, não creio que estejamos indo muito além de expressar com zombaria a ilusão generalizada do “apocalipse do capitalismo”, o cuco com que o mundo pretende transformar muito poucas coisas para que nada mude na realidade. Virtualidade e realidade poderiam aparecer como elementos opostos, incompatíveis e em guerra. Mas talvez sejam só duas ferramentas, dois modos de representação da verdadeira batalha, que segue sendo a do uso dos recursos e a irregularidade na distribuição da riqueza.

Somos nostálgicos de uma ordem desinflada, que parece estar sendo abandonada, mas pessimistas sarcásticos de uma ordem por vir, prenha de ameaça e desumanização.

Li que no seu teatro costuma haver mais situações do que retórica, mas Spam seria uma exceção. Você a define como uma “ópera falada”. Por que esse é um formato interessante para a experiência teatral?
A Sprechopern (ópera falada) é um gênero muito comum nos países saxões e muito pouco explorado no universo latino. Se trata de uma ópera convencional no sentido de que a música é constante e propõe o leitmotiv emocional, anímico e rítmico da peça, mas o texto não é cantado, senão dito, o que a faz se parecer em alguma medida com uma obra de teatro com muita música. Suponho que o ponto de fusão entre teatro e ópera está na qualidade sonora do espetáculo: Zypce é um cuidadoso e desobediente designer de surpresas musicais, de entornos acústicos pelos quais conseguimos filtrar um texto complicadíssimo e divertido. Na ópera tradicional acontecem muito pouca coisas e o texto ocupa uma posição “lírica”: se lamenta ou se deleita com as emoções dos personagens. Neste caso, ao contrário, o texto é profusamente narrativo. A história que se conta se bifurca em muitos ramos e constrói um labirinto de episódios um pouco afastados da retórica operística e muito mais próximo da escritura de catástrofe e peripécia (que caracteriza quase todo meu teatro recente). Ainda que algumas Sprechopern sejam elaboradas como”teatro radial” (para ser escutado), nosso Spam é fortemente visual e a cenografia contém o mesmo grau de surpresa que o resto dos materiais da montagem (música, palavra, atuação, vídeos, acaso).

Em nossos dois últios trabalhos conjuntos (“Apátrida” y “Spam”), Zypce e eu temos tratado de construi sensivelmente um teatro que nos interesse. Não somos puristas das categorias de ópera nem de teatro puro. O importante é sempre gerar uma convivência interessante e dinâmica com o público real.

Quais aspectos do mundo contemporâneo são evidenciados no espetáculo?

Suponho que o primeiro grande problema é o mesmo de toda a filosofia atual: o que é o contemporâneo? A prematura pós-modernidade nos acostumou mansamente à ideia de que o novo não ocorrerá nunca mais. É uma ideia perigosa e paralisante, e supõe uma desativação tácita das lutas sociais que caracterizaram o século passado, já que entranha no fundo a suposição de que as coisas não mudarão. Creio intuir que esse é um dos elementos sobre os quais ironiza a história. Nela, um professor de línguas extintas se mete em uma confusão tremenda ao responder a um spam vindo da Malásia. Uma enorme e perigosa soma de dinheiro é depositada em sua conta bancária: a eterna promessa dos spams – que ninguém considera certos mas que pululam como moscas – se ttorna verdadeira, Trata-se de um homem novo, que deve aprender a viver na virtualidade do dinheiro. Sua grande aventura, talvez, consiste em sobreviver sem tocar em dinheiro vivo. O caráter líquido do dinheiro (sobre o qual se organiza todo o sistema de valores do Ocidente) é outro dos eixos temáticos. E, finalmente, suponho que uma ideia de apocalipse. Um apocalipse tênue, sombrio e cinza, que não se parece muito com o final monumental prometido pelas sagradas escrituras, mas com uma inércia na estupidez e no desânimo. O território da Itália – com sua crise institucional e econômica – é apenas uma desculpa para falar de uma crise mais geral. Não são tempos para heróis. Nosso pobre protagonista sabe disso e, por isso, a doce melancolia das tarefas quixotescas atravessa o espetáculo como um fantasma com uma mensagem inquietante: talvez esta sociedade em agonia não tenha nascido janais na realidade.
Há um tom de absurdo? O sorteio das 31 cenas antes de cada apresentação faz lembrar algo como o Jogo da Amarelinha, do Julio Cortázar. Como acontece? 
Não sei muito bem o que é absurdo. Entendo, claro, que há um teatro que a Europa chamou de “absurdo” e que pertenceu a uma vanguarda privilegiada que soube suspeitar da linguagem e de seus truques de poder. Mas o absurdo de Ionesco não é o mesmo de Pinter ou Beckett. Todos eles – que já estão mortos há mais de 100 anos – tentaram o mesmo que nossos contemporâneos: expandir o campo do real, para achar soluções que o senso comum se empenha em manter ocultas. Por outro lado, somos latino-americanos, algumas categorias europe­ias não se adaptam bem a nós. O que os europeus chamaram “realismo mágico”, em algumas culturas (como na Argentina) é apenas “realismo”. Nossas realidades políticas são muito intensas, muito absurdas, e se infiltram em todas as frestas da nossa precária vida civil.
O sorteio é uma artimanha vil e escandalosa. Nosso personagem – como o Ocidente – perdeu a memória. Assim, nos pareceu justo e realista que a história fosse contada em absoluta desordem, servindo às regras profundas do acaso. Seu capricho é tão verdadeiro como qualquer outro. A obra apresenta 31 cenas muito breves na vida de nosso personagem, um mês inteiro de sua desventura virtual. Mas as apresentamos em uma ordem que não é cronológica e estamos certos de que o público agradecerá por isso. A ordem que dita o tempo não é mais clara nem muito menos mais interessante. É o peso da razão que está sendo julgado nesse experimento controlado, a autoridade do paradigma causa-efeito, que é o método da ciência, mas não necessariamente da imaginação. E a imaginação – porque não tem também muito a dizer sobre o mundo em que vivemos.

Como a crise política e econômica da Argentina está afetando o teatro do país?
Não há crise econômica que pareça poder derrubar o teatro na Argentina. A maior de que me recordo (a de 2001) propulsionou um enorme movimento de criadores e público: salas, museus, centros culturais nunca estiveram tão cheios, tão ativos, tão povoados de espectadores necessitados de convivência dentro dos parâmetros da arte. Mas penso que às vezes acontece o contrário: as sociedade muito estáveis que conheci, muito assentadas sobre sua razoável estabilidade sociopolítica, às vezes carecem de teatro e isso não parece representar um problema para ninguém. Me impressiona muito o caso da Suécia – um país que me parece magnífico em muitíssimos sentidos, onde eu gostaria de viver minha velhice e criar meus netos, mas onde o teatro contemporâneo praticamente não é feito. O teatro das sociedades ordenadas vive de exprimir os eternos modelos de seus exíguos clássicos. O de países em crise ferve o tempo todo e trata de gerar respostas imediatas, torpes às vezes, balbuciantes, mas definitivamente muito coloridas.

A crise política, ao contrário, pode ter deixado vestígios mais profundos na nossa sociedade. Ainda é cedo para analisar o caos dos últimos anos. Mas poderia arriscar-me a dizer que, pela primeira vez na história do país, um grande número de artistas se tornou oficialista. Isso não teria nada de mal em si. Sobretudo se houvesse ocorrido uma verdadeira revolução. Mas não creio que seja o caso. Os artistas do meu país sempre se caracterizaram por sua condição de “opositores”: sempre padeceram o estado das coisas, sempre havia algo que estava ruim e se deveria denunciar a viva voz e com criatividade. Não estou dizendo com isto que agora a maioria faça uso de sua criatividade para render reverência aos poderes em turno, mas creio ver uma atitude de precavida mesura: certas batalhas sociais foram ganhas (os militares da ditadura pagaram com a prisão, por exemplo; e muitas crianças subtraídas por esse regime de horror reencontraram sua origem), mas as mudanças profundas não apareceram. O que apareceu foram setores rançosos do velhíssimo poder, que antes operavam seus assuntos da comodidade das sombras, agora se fazem visíveis, descaradamente públicos. Os inimigos do que é justo e razoável passam livremente como discursos de oposição e, por isso, muitos artistas inquietos às vezes preferem calar, sobretudo porque qualquer tentativa de crítica política parece alimentar de rebote os interesses de setores inimigos. É uma situação muito paradoxal, muito crítica, que não se define com clareza. Em épocas de crises anteriores, os artistas eram os primeiros a hastear as bandeiras da insurreição, do desacato, da razão, da urgência, enfim, da imaginação. Mas em paisagens como a que descrevi, me dá a sensação de que reinam a indiferença e o mero entretenimento. Coisas que não parecem coincidir com o ideal de um artista livre, que dispara em todas as direções para desfazer a letargia dos espíritos de sua época.
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30/03/2014 TAGS: Argentina, Festival de Curitiba, Rafael Spregelburd BY: Luciana Romagnolli
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entrevistas

Grace Passô e Yara de Novaes falam de Contrações

por Luciana Romagnolli

Perguntas à atriz Yara de Novaes e à diretora Grace Passô sobre o espetáculo Contrações:
Gostaria que comentassem a escolha do Grupo 3 por encenar esse texto do Mark Bartlett, neste momento, e sobre quais qualidades dele como dramaturgo lhes interessaram. 

Grace Passô – O Grupo3 tem interesse na obra de Mike Bartlett já há algum tempo e me propuseram este trabalho que é “Contrações”. Não conhecia o autor e me interessou seu olhar desumano do capitalismo nas relações do trabalho: o poder da máquina que atropela indivíduos em prol de uma determinada noção de competência e crescimento. Também vi nele a possibilidade de mais uma vez trabalhar um texto absurdo, fato que vem me interessando já há algum tempo.

Yara de Novaes – O Grupo 3, desde que se formou, realiza montagens de textos que têm como tema central as relações de dominação. Nas outras três montagens, essas relações tinham como território o ambiente doméstico, as famílias, os casais. Com Contrações, esse tema se estende para o ambiente de trabalho e gera discussões mais abrangentes sobre essa questão, reflete aspectos políticos, econômicos e filosóficos. Além disso, apesar de Mike Bartlett parecer herdeiro do pensamento orweliano, ultrapassa-o e reflete agora sobre o sistema escravagista operado pelo capitalismo, explicitando suas técnicas de manipulação, algo muito presente e contemporâneo. O que nos interessou também , para além do tema, foi que o autor tem musculatura dramatúrgica para associar essa temática aos elementos essenciais do teatro que gostamos de fazer, como personagens, ritmo, ação poética e dramática, extrapolação da realidade, etc.
O tema das relações de trabalho visto sob ótica do absurdo curiosamente ganhou versão nos palcos também em A Arte e a Maneira de Pedir Aumento ao seu Chefe, do Nanini. Vocês diriam que estamos com a sensibilidade aguçada para criticar os encaminhamentos que a lógica do trabalho tem tomado? E o absurdo, uma linguagem não tão comum nos palcos brasileiros, seria mais revelador nesse caso? Por quê?
Yara – Sim, estamos vivendo um momento no mundo em que o emprego está acabando e o trabalho precisa ser encarado de outra forma. E, infelizmente, os que ainda estão empregados, acreditam que aquele emprego é a sua única chance de trabalhar, sobreviver, ter boas e valiosas coisas e abrem mão de seus valores mais essenciais em prol dessa (des)crença. Acho que o absurdo propicia uma certa cisão emocional entre o público e a cena, o que fortalece a carga política e crítica do espetáculo. Para os artistas envolvidos, ter um texto em que a realidade é apenas um ponto de partida deixa-os mais livres, dispostos para interpretações, analogias e metáforas próprias. 
Grace – É difícil tratar deste tema. Num primeiro momento ele parece asséptico e excessivamente distante da vida que, inclusive, artistas escolhem pra si (nós, no caso). Mas acho que, em Contrações, o texto escancara uma relação absurda que pode estar em qualquer lugar: grandes corporações ou não. Acho que o interesse por esse tema é claro: o mundo está explodindo com sua lógica do capital, suas contradições são mais absurdas ainda que o texto de Bartlett.
Chama a atenção o modo as personagens se constroem em oposição uma à outra – Yara fixa e inabalável, em contraponto às mudanças cíclicas de Débora Falabella e ao corpo dela que vai se deteriorando. Como foi o trabalho para definir as ações e o corpo dessas personagens?
Grace –  As ideias do texto são muito claras e a ação primordial do texto de Bartlett é a palavra. Não à toa, sua primeira versão foi escrita para rádio. Pra mim sempre ficou muito claro que aquelas personagens e suas diferenças de conduta estão a serviço de uma visão de mundo. Mais que personagens, trabalhamos o jogo de contrastes entre o queYara e Débora deveriam representar nos momentos da peça. É como se as duas personagens concretizassem dois lados de conduta de cada uma delas porque seus desejos não interessam ali. Interessa o quanto são, as duas, capazes de abrir mão deles.
Yara – A Grace Passô é uma artista muito instigante e aberta. Como diretora, fez uma condução minuciosa e consciente do espetáculo e do trabalho dos atores. E em pleno diálogo com as personagens percebeu a natureza que cada uma delas. E é muito evidente que a transeunte na cena é a personagem de Ema, interpretada por Débora Falabella, enquanto que a Gerente, personagem que interpreto, tem sua ação baseada na palavra manipuladora e decretada. Visto isso, com a ajuda da preparadora física Kênia Dias, fomos compondo cada uma delas, com partituras físicas muito bem definidas.
A metáfora do frio se concretiza no uso do ar-condicionado, que faz o espectador experimentar fisicamente, no tato, algo que é elaborado nos planos visual e mental. Esse é um recurso que já usou em outros espetáculos – penso nos soterrados que agarram os pés de espectadores em Ancestrais. A partir disso, pergunto à Grace: em Contrações -e em sua obra mais amplamente -, como pensa o lugar do espectador e a relação de convívio que se estabelece (é negociada) com ele? 
Grace – Acho que alguns efeitos numa encenação ajudam uma obra teatral absurda sair do plano da imaginação e concretizar-se como algo que acontece no mesmo tempo da ação teatral. Em Contrações, o “frio” tem essa função. Exercitamos uma qualidade sintética na atuação e encenação como uma forma de sermos escutados, em Contrações as palavras dançam, os corpos sustentam e tentam sustentar suas existências fixas no mundo. Acho que essa foi, digamos, a estratégia primordial  pra relação com o público: evocar a escuta.
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28/03/2014 TAGS: Festival de Curitiba, Grace Passô, São Paulo, Yara de Novaes BY: Luciana Romagnolli
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críticas

Concreto Armado: a dificuldade de dar forma ao que não está visível

por Luciana Romagnolli
Fotos de Annelize Tozetto.

Está na base do processo criativo do grupo carioca Teatro Inominável deixar as inquietações que o movem determinarem a forma do espetáculo a ser criado. Foi assim com Sinfonia Sonho (Fringe 2012), ao narrar o massacre de alunos em uma escola recorrendo a fragmentos poetizados de atuação: o grupo respeitava uma distância dos acontecimentos, ciente de que seria impossível compreender o horror. Já Vazio É o Que Não Falta, Miranda (Fringe 2013) tomava os desacertos e a inconclusão de Esperando Godot como elementos estruturantes, de modo que a máxima beckttiana “tentar de novo; falhar de novo; falhar melhor” se transformava num jogo de improvisações.

Concreto Armado coloca o grupo outra vez diante de um horror impossível de ser nomeado – uma condição buscada pelos atores e pelo diretor Diogo Liberano já no próprio batismo da companhia. Desta vez, porém, é ao horror sentido nas ruas, entre reformas para a Copa do Mundo e retaliações a manifestantes, que o Inominável busca dar forma no espetáculo que estreou na quarta-feira (26), pela Mostra Contemporânea do Festival de Curitiba, no Teatro Paiol.
Talvez pela descrença na possibilidade de golpear diretamente o cerne dos acontecimentos, até porque resultam de uma complexa teia de condições políticas, econômicas, sociais, históricas e culturais, o Inominável cria uma fábula sobre estudantes de arquitetura envolvidos numa pesquisa de restauração patrimonial. Esta é uma maneira humanizadora de transitar pelas questões, tratando de pessoas, não de estatísticas.
Contudo, as histórias não demonstram ainda força para se sustentar entre as brechas de denúncia social que se abrem. Concreto Armado teve uma estreia difícil. O espaço do Paiol pareceu reduzido para a movimentação dos atores e, ao mesmo tempo, a proximidade extrema da plateia fez com que as atuações chegassem ao público sobrecarregadas. Vem daí um lugar delicado que não é nem o da identificação com aqueles dramas nem o de um distanciamento reflexivo.
Diogo Liberano, o diretor.
Se a fábula é o concreto armado, as fissuras surgem na forma desencaixada como as cenas se sucedem e na intrusão de atos performáticos. O mais forte deles é a entrada do diretor em cena, proporcionando uma experiência física de desconforto (dele) que é sentida pelo espectador e ativa leituras livres sobre os acontecimentos em pauta. 
Esse tipo de despertar da reflexão crítica individual, sem a pretensão autoritária de conduzir o pensamento a sentidos fechados, é uma busca presente em toda a obra, por meio de simbolismos e de uma narrativa poetizada.
Contra ela, contudo, está a indefinível construção das atuações, que tentam dar conta ao mesmo tempo de um diálogo coloquial de jovens cariocas, do fluxo de pensamento deles, da dinâmica de atenção instável no Facebook, de memórias romantizadas, gestos abstratos simbólicos e estados de presença – tudo isso sob a narrativa onisciente do diretor.
Há de se pensar que nem sempre a concorrência de formas e sensibilidades distintas em um espetáculo cria um organismo pulsante, complexo – como o são outros trabalhos do Inominável. Por vezes, o efeito é justamente uma despotencialização do conjunto. Dizer que falta costura entre esses elementos, então, não é pedir que os pontos se fechem e, com eles, os sentidos se estabilizem, mas que a dramaturgia não os deixe soltos a ponto de se desfazerem.
Há uma grande aposta do grupo no poder do simbólico e em que o espectador busque além do palco as conexões e os sentidos, como na cena em que o nome de Gleisi Nana (ativista carioca morta em um incêndio após denunciar a ameaça de um policial) é citado sem contexto. Se o ator capta o espectador pelo olho, logo o perde na prolongação desta ação a cada um dos indivíduos presentes na plateia. Cenas como esta ou o longo silêncio sustentado por uma atriz prescindem ainda de ritmo e de presença para surtirem outro efeito que não o desligamento entre palco e plateia.
Se consideradas a urgência e a potência explosiva dos temas nos quais resvala, o espetáculo tem à frente um processo de maturação para que o organismo se torne pulsante, a intenção mobilizadora se realize e o espectador possa cumprir sua função. Cabe a ele, ativamente, perceber fissuras a partir das quais escavar o oculto das relações em sociedade. Para isso, porém, antes o público precisa ser afetado.
Concreto Armado trata justamente daquilo que não mostra – como, por exemplo, a denúncia especificamente da morte de Gleisi Nana, e, amplamente, da política, da polícia e do empresariado que oprimem. Mas como dar forma ao que não está presente, se nem o que se faz visível é precisamente delineado? Eis uma ambição difícil de alcançar – nem por isso menos importante.
* Espetáculo visto em 26 de março de 2014, no Teatro Paiol, durante o Festival de Curitiba.
* Texto originalmente publicado no site do jornal Gazeta do Povo.
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28/03/2014 TAGS: Diogo Liberano, Festival de Curitiba, Rio de Janeiro, Teatro Inominável BY: Luciana Romagnolli
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O Horizonte da Cena é um site de crítica de teatro criado em setembro de 2012 pelas críticas Luciana Romagnolli e Soraya Belusi, em Belo Horizonte. Atualmente, são editores Clóvis Domingos, Guilherme Diniz e Julia Guimarães. Também atuam como críticos Ana Luísa Santos, Diogo Horta, Felipe Cordeiro, Marcos Alexandre, Soraya Martins e Victor Guimarães. Julia Guimarães e Diogo Horta criaram, em 2020, o podcast do site. Saiba mais

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