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Mestiçagem de linguagens – Esquyna Latina I

Por Soraya Belusi (*)

 
Quando América nasceu, arrancada dos braços de sua mãe África, iniciou sua saga de abandono e exploração ao longo da história. Menina desprotegida, ingênua em seu desconhecimento de si mesma, permitiu-se ser manipulada (e endividada) por sua velha e colonizadora avó. O Mayombe Grupo de Teatro convida o público a testemunhar em “A Pequenina América e Sua Avó $ifrada de Escrúpulos” esta trágica (mas ainda esperançosa) fábula, impregnada de realidade, em um olhar particular sobre a história da América Latina.

Imagem de “A Pequenina América e sua Avó $ifrada de Escrúpulos” (foto de Pedro de Filippis)

As escolhas éticas e estéticas do trabalho parecem refletir, de maneira também estrutural, as opções e pontos de vista ideológicos/artísticos dos integrantes expressos no conteúdo crítico-poético-irônico do texto. Ao escolher a fábula-poética como base da construção da dramaturgia, o grupo abriu para seu próprio discurso e para a encenação uma série de possibilidade de linguagens, em que se permite a coexistência da narrativa e do fluxo de consciência, a presença de momentos mais próximos de uma atuação “realista” a outros mais próximos da performance,  a utilização do humor e do autodeboche e o objetivo de provocar reflexão, da inserção de dados históricos a inserção de citações contemporâneas (Nike, Silvio Santos, etc).


A coerência das escolhas parece estar no acúmulo e na sobreposição das possibilidades utilizadas, numa espécie de mestiçagem de linguagens, caótica, porém, potente justamente por pluralidade. Quando reflete sobre o passado, a histórica da construção da identidade latino-americana e, consequentemente, do Brasil, o grupo pretende, simultaneamente, criar um discurso sobre o que vivemos no presente e sobre suas próprias escolhas.
Criando um possível paralelo com as idéias do geógrafo Milton Santos, em seu livro “Por uma Outra Globalização”, a estrutura do espetáculo (misturada, caótica, plural) reflete o que ele chamaria de sociodiversidade, fruto de um novo dinamismo na mistura de pessoas e filosofia, diferente da que se via na primeira metade do século passado, o que, segundo ele poderia ser um indício da possibilidade de uma outra ideia de globalização – expresso na fala final de América, da escolha por seguir seus próprios rumos e desvencilhar-se da sombra de sua avó.  
“De fato, se desejamos escapar à crença de que este mundo assim apresentado é verdadeiro, e não queremos admitir a permanência de sua percepção enganosa, devemos considerar a existência de pelo menos três mundos num só. O primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a globalização como fábula; o segundo seria o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade; e o terceiro, o mundo como ele pode ser: o da outra globalização”. (Milton Santos)
Neste sentido, os personagens, mais que terem uma “vida própria”, funcionam como reflexo de comportamentos e identidades, crenças, culturas, modos de pensar (seja quando representam a obsessão do consumo e das finanças do mundo atual, ou a exploração através da venda sexual, ou ainda a necessidade de um povo de confiar na e depositar suas chances de mudança na fé, ou ainda a existência de um pensamento hegemônico (imperialista e dominador) que manipula e assombra, desde a sua “descoberta”, todo um continente.  
(*) A jornalista foi convidada a cobrir o evento. Texto originalmente publicado no blog do Esquyna Latina. 


16/11/2012 TAGS: Belo Horizonte, Esquyna Latina, Mayombe 0 COMMENT
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O Horizonte da Cena é um site de crítica de teatro criado em setembro de 2012 pelas críticas Luciana Romagnolli e Soraya Belusi, em Belo Horizonte. Atualmente, são editores Clóvis Domingos, Guilherme Diniz e Julia Guimarães. Também atuam como críticos Ana Luísa Santos, Diogo Horta, Felipe Cordeiro, Marcos Alexandre, Soraya Martins e Victor Guimarães. Julia Guimarães e Diogo Horta criaram, em 2020, o podcast do site. Saiba mais

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